MAGIA E CURA KAHUNA

SAÚDE HOLÍSTICA E PRÁTICAS DE CURA DA POLINÉSIA

Serge King

 

Huna – o nome comum dado ao conhecimento kahuna – não é uma religião. É uma filosofia de realizações que pode ser aplicada em qualquer contexto: religioso, científico, social ou pessoal. Os próprios membros da Huna International não precisam abandonar sua fé tradicional para entrar na ordem, e isso inclui os kahunas. Temos cristãos Huna, Judeus Huna, budistas Huna, muçulmanos Huna e assim por diante,  e todos chegando à conclusão de que Huna aumenta a apreciação de suas origens religiosas. Qualquer que seja a sua religião, você é afetado pela gravidade. O conhecimento Huna é essa base. O motivo pelo qual as pessoas entram para a ordem é participar de um empreendimento mutuamente cooperativo e benéfico, pois estamos tornando esse conhecimento acessível a todos. Nosso lema é tirado de uma antiga aclamação que os kahunas havaianos faziam do alto de uma torre, e que era um oráculo: Que aquilo que é desconhecido se torne conhecido!

Huna é uma palavra havaiana que significa “aquilo que é oculto, ou não óbvio”. Às vezes, nós chamamos a isso de Conhecimento Oculto, ou a Realidade Secreta. A ideia não é que alguém propositalmente a esconda, mas apenas que ela é difícil de ver. O termo kahuna pode ser traduzido como “um transmissor do segredo” e era usado originalmente para designar aqueles que pertenciam a uma ordem que praticava e ensinava o conhecimento. No Havaí moderno, porém, a palavra é usada para tudo, desde um sacerdote ou ministro ocidental até curandeiros e paranormais comuns, e também para charlatões que exploram os crédulos. Aqui, nós o usamos em seu sentido original. 

 

O conhecimento Huna

Em algum lugar no passado, muito tempo antes da ascensão de Atlântida, uma raça de homens chegou a este sistema solar, vinda de um grupo de estrelas conhecido como as Plêiades. Alguns aterrissaram na Terra e outros em outro planeta que não existe mais. Naquela época, a Terra ficava mais próxima do sol e a duração do ano era de exatamente 360 dias. Os homens que vieram das estrelas fugiam de uma catástrofe, e tinham a intenção de encontrar paz na Terra. O processo foi lento, porém, pois encontravam aqui outros homens, remanescentes de uma civilização anterior que se havia dizimado.

Finalmente, a maior parte dos homens das estrelas se estabeleceu num continente no Pacífico, conhecido hoje em lendas como Mu. Eles chamavam a si próprios de Povo de Um, mas outros os chamavam de Manahuna ou Menehune, ‘o povo do poder secreto’, por causa de sua tecnologia avançada e de seus poderes psíquicos. 

Eram indivíduos pequenos, com aspecto de pigmeus pelos padrões modernos, e muito laboriosos. O conhecimento deles era Huna, uma filosofia para se viver com sucesso. Quando perceberam estar assentados em segurança, começaram a ensinar esse conhecimento aos homens da Terra. 

Vinham homens ao continente de Mu para  aprender, e Mu também enviava missões de professores a outras partes do mundo para montar escolas de vários tipos. 

A parte básica da filosofia Huna é que todo ser humano tem habilidades psíquicas. As ordens treinavam as pessoas em seu uso consciente e disciplinado. 

 

O POVO DA POLINÉSIA

Polinésia é um termo aplicado igualmente a uma área geográfica e a um povo que partilha da mesma origem histórica, linguística, cultural e física. A área geralmente é definida como um triangulo que se estende da Nova Zelândia no sudoeste do Pacífico ao Havaí, no norte, descendo até a Ilha de Páscoa, sudeste, e de volta à Nova Zelândia.  É uma área imensa, maior que o continente sul-americano, e salpicado de ilhas vulcânicas e de corais, geralmente separadas a uma distancia de 3,2 quilômetros entre si. 

O povo dessa área, os polinésios, inclui os maioris, samoanos, tonganeses, taitianos, marquesanos, havaianos, pascoenses e outros,  cujos nomes nos tempos modernos se baseiam em suas regiões. Embora esses grupos sejam separados por vastas distâncias, e em alguns casos não mantenham contato entre si há séculos, há menos  diferenças entre eles do que entre vizinhos próximos como os franceses e alemães. 

Os grupos como os maioris, havaianos e pascoenses falam em suas lendas sobre pessoas que já viviam nas ilhas quando eles lá chegaram. Na língua havaiana, essas pessoas eram até chamadas de Mu, e há muitas histórias sobre conflitos e cooperação com eles.  Na ilha de Kauai, no arquipélago havaiano, vi pisos em templos e trabalhos de alvenaria que se assemelham muito mais aos estilos de construção pré-incas do que a qualquer outra coisa construída pelos primeiros colonizadores polinésios. Eles teriam sido construídos pelo povo de Mu, também reconhecido como os Menehune.

 

O SISTEMA KAPU

A questão da origem talvez nunca seja satisfatoriamente resolvida para todos, mas é um fato que os polinésios já estavam lá quando os europeus chegaram na Polinésia.  Entre outras coisas, os primeiros exploradores ocidentais encontraram um poderoso grupo de indivíduos conhecidos como kahunas, que eram os líderes religiosos, mestres artistas e artesãos, médicos, advogados, professores e conselheiros políticos da sociedade. Eles e as famílias dos chefes governavam o povo  através de um sistema que seria chamado de kapu, embora a maioria dos ocidentais esteja mais acostumada com a forma tongonesa da palavra, tabu ou taboo.

O sistema kapu tem sido muito difamado, porque nunca foi bem compreendido. À palavra kapu foi associado o significado de ‘proibido’ e ela passou a ser interpretada como um misterioso alerta a respeito de coisas que escapam ao domínio da razão. Uma compreensão mais completa da palavra, porém, incluiria também os sentidos de “sagrado, santo ou consagrado”. O sistema kapu era na verdade um código de leis, necessário para que qualquer sociedade funcione de maneira ordenada. Um certo bosque ou um local de pesca especial podia ser declarado kapu durante uma ou mais temporadas, para não ser superexplorado, por exemplo.  Não seria diferente de nossas atuais temporadas regulamentadas de caça e pesca. 

Certas partes de um templo ou pedaços de terra também podiam ser declarados kapu porque eram reservados para uso sacerdotal ou dos chefes. O Caminho até esses lugares era marcado por um par de varetas cruzadas, encimadas por uma bola de pano branco, e os nativos se recusavam a transpor esses indicadores porque a quebra de um kapu era severamente punida. 

O kapu, portanto, formava a base para o sistema legal polinésio. Em sua melhor aplicação, ele reforçava a coesão e a produtividade da sociedade.

 

OS KAHUNAS DO HAVAÍ

Nos livros de história, muito se fala do capitão Cook, e de como pensaram ser ele o deus Lono, retornando às ilhas. De acordo com o historiador havaiano Kamakau, o povo de Kauai ficou surpreso e assustado diante da visão inédita dos navios britânicos desembarcando na costa. As pessoas não tinham ideia de quem estava nos navios. Foi um kahuna, Kuohu, que chegou à conclusão de que os barcos deviam ser o templo e os altares de Lono porque os mastros e as velas pareciam a haste e as flâmulas usadas numa cerimônia anual dedicada àquele deus. Cook e seus homens desceram na praia para uma curta visita e depois partiram para a América. A notícia se espalhou rapidamente pelas ilhas, e quando Cook retornou e parou na baía de Kealakekua, na Ilha Grande do Havaí, o palco estava montado para uma manobra política incrivelmente astuta, que teria dado certo se Cook não tivesse ficado lá muito tempo. 

 

A segunda chegada de Cook ocorreu numa área consagrada a Lono, e foi perto do fim do festival anual dedicado a ele. Cook foi aclamado como o próprio deus Lono.  Vindo para emprestar seu mana (poder divino).  Infelizmente, quanto mais tempo Cook se demorava na ilha, mais difícil ficava manter a farsa de que ele era um deus. Quando finalmente partiu, depois de algumas semanas, não disfarçaram o alívio. Infelizmente, porém, Cook teve de voltar uma semana depois para consertar o mastro quebrado. O festival já tinha acabado, o povo estava disperso, e a recepção a Cook foi fria Uma batalha eclodiu na praia e Cook foi morto. 

 

À medida que mais europeus começavam a visitar as ilhas, ouviam histórias sobre os estranhos poderes exercidos por determinados indivíduos conhecidos como kahunas. Histórias de telepatia, clarividência, cura pelo toque, provocar morte a distância e caminhar sobre lava incandescente se misturavam a observações de cerimônias exóticas e cânticos, à prática de massagem e medicina de ervas, e à aparente veneração de ídolos grotescos. 

Não havia dúvida de que pelo menos alguns kahunas eram capazes de coisas que pareciam desafiar as leis físicas. 

 

O sumo sacerdote de Kamahmeha II, em 1819, pouco depois da morte de Kamehameha I, esse proeminente kahuna, responsável pela imagem do deus da guerra do rei, teve uma visão na qual distinguiria representantes do que parecia ser um deus muito mais poderoso aportando nas praias do Havaí. Sem dúvida influenciado  por sua familiaridade com a superior tecnologia europeia e as histórias cristãs, 

 

Kamehameha II, diferentemente de seu pai, era homem de vontade fraca e, em novembro de 1819, cedeu às pressões de Hewahewa sumo sacerdote) e seus seguidores. Com o ato aparentemente simples de se sentar para fazer uma refeição com as mulheres, Kamehameha II quebrou um sério kapu e abriu um precedente para chefes e cidadãos comuns. 

As pessoas, há muito oprimidas por kapus exageradamente estritos, começaram a dar vazão aos sentimentos, queimando e destruindo templos e estátuas. Um kahuna rival de Hewahewa tentou impedir isso, mas ele e seus seguidores foram massacrados em batalha. Por seis meses, depois disso, o Havaí foi uma terra sem religião e sem leis. Foi uma época de grande confusão, porque sem os kapus e sem os deuses, não havia diretrizes firmes para conduzir um governo nem segurança psicológica. 

Finalmente, em 1820, os primeiros missionários cristãos de Boston aportaram onde Hewahewa disse que os tinha visto. Ele e seus colegas kahunas  tinham trazido muitas pessoas aleijadas e doentes para o novo deus curar. Eles cantaram uma canção de boas vindas e pediram aos missionários que mostrassem o poder do novo deus, curando os necessitados.  Óbvio que os missionários não podiam fazer isso, e, depois de muita confusão de ambos os lados, Hewahewa foi obrigado a compreender  que   tinha   interpretado   erroneamente   sua    visão   e destruído toda a estrutura formal religiosa e legal de sua nação por nada. 

Parece óbvio que o infeliz sumo sacerdote recebeu o nome de Hewahewa depois desse terrível engano, pois significa “o louco que não reconheceu o significado”.

O quarto fator que interferiu na compreensão inicial do conhecimento kahuna foi a proibição de todas as práticas kahuna por parte dos missionários cristãos convertidos em políticos, tão logo tiveram o poder de fazer isso. De acordo com Max Long, que viveu nas ilhas enquanto essa lei era válida, a lei do Havaí sobre o uso de magia para cura determinava o seguinte:

“Seção 1034. Feitiçaria – penalidade. Qualquer pessoa que tente a cura de outra de outra através da prática de feitiçaria, bruxaria, Ana-ana, hoopiopio, hooumauna, ou hoomanamana (termos que descrevem práticas psíquicas), ou outras superstições ou métodos enganadores, deverá, quando acusada, pagar multa de uma quantia não inferior a cem dólares ou ser preso por no máximo seis meses, cumprindo  trabalhos forçados. 

Isso era suficiente para levar todos os verdadeiros kahunas a se esconder, o que tornava extremamente difícil para um não-havaiano ter acesso ao conhecimento kahuna. 

Só recentemente a lei foi mudada, de modo que embora ainda preveja salvaguarda contra fraude, já não é mais crime ser ou afirmar ser  um kahuna. 

A autodestruição de suas tradições religiosas e o poderoso impacto do Cristianismo e da tecnologia ocidental fizeram a maioria dos havaianos rejeitar a influência e os ensinamentos kahunas. O conhecimento kahuna era tradicionalmente passado para um filho natural ou adotado. 

No entanto, em meio a toda dificuldade, continuou existindo um núcleo de kahunas ativos que continuava a praticar cura mental, emocional e física; a ajudar as pessoas a mudar o futuro, e até a praticar a grandemente temida “oração da morte”. Nada menos que o curador do Museu Bishop em Honolulu, William Tufts Brigham, dedicou-se  durante anos a tentar desvendar o segredo daquelas que ele sabia ser práticas kahunas válidas.  Ele deixou para Max Long um legado do que tinha aprendido que pode ser assim resumido:

“Sou capaz de provar que nenhuma das explicações populares da magia kahuna tem fundamento. Não é sugestão, nem qualquer outra coisa conhecida na psicologia. Eles usavam algo que nós ainda temos de descobrir, e é uma coisa de importância inestimável. Simplesmente, temos de descobrir. Revolucionará o mundo, se o fizermos. Mudará todo o conceito da ciência. É algo que traria ordem às crenças religiosas conflitantes...”

Ele descobriu ainda que o sistema kahuna de conhecimento não era limitado à Polinésia, mas espalhava-se por todo o mundo. Foi um feito notável, tornando os principais elementos desse conhecimento acessíveis ao público pela primeira vez. 

As coisas com que os kahunas lidam regularmente se tornaram hoje o tema de uma investigação científica cada vez mais difundida bem como de um crescente interesse popular. Há laboratórios estudando a comunicação telepática, o fenômeno de estados alterados de consciência, e a influência psicocinética sobre a matéria, enquanto um número cada vez maior de corajosos médicos e psicoterapeutas vem experimentando métodos de cura não usuais, tais como imagem guiada, e a transferência de energia de uma pessoa para outra. 

 

AS ORDENS KAHUNAS

Um verdadeiro kahuna é aquele que foi iniciado por um pai natural ou adotivo e treinado em conhecimento esotérico organizado, como parte de um grupo identificável. Os havaianos tinham muitos nomes para indivíduos que usavam habilidades psíquicas. Eis algumas:

Kaula – profeta ou mágico

Po’ko’i – feiticeiro

Ho’ola – curandeiro

Mo’okiko – feiticeiro mau

Ho’okalakupua – mágico ou adepto

Kilo’uhane – espiritualista

Ho’ike papulua – paranormal

Os termos eram aplicados a pessoas que exerciam tais poderes sem ser kahunas. Os kahunas podiam fazer as mesmas coisas, mas como especialistas treinados pertencentes a uma ordem tradicional. Nesse caso, o indivíduo seria chamado de kahuna kaula,  kahuna ho’ola, etc. além disso vários tipos de kahunas eram treinados para ser especialistas em coisas que não consideraríamos esotéricas hoje, tais como navegação, medicina, engenharia e meteorologia. Os kahunas eram os cientistas e especialistas técnicos de sua época, mas seu conhecimento se estendia a campos que mal começam a ser explorados no mundo ocidental em ampla escala. Por exemplo, um navegador seria não apenas tecnicamente habilitado, mas também treinado para se comunicar com o vento e as ondas. 

Um kahuna alcança a proeminência, não por promoção, herança ou eleição, mas sim através do respeito por suas habilidades e conhecimento. A mais alta “posição” a que um kahuna pode aspirar é puhi okaoka, que se refere a um indivíduo bem versado em todos os ramos de conhecimento. 

Em determinado momento da história, os kahunas se dividiam em três ordens amplamente definidas. 

 

A ORDEM DE KU

Essa ordem era chamada de “os Emocionais”. Em termos de cura, os kahunas dessa ordem são mais propensos a usar exercício, massagem e imposição das mãos como métodos de tratamento. Assim como a psicoterapia, essas técnicas trabalham a liberação de emoções reprimidas e a descoberta de eventos passados que desencadearam os problemas atuais. Quanto ao ambiente, a abordagem consiste particularmente em tentar o controle direto de eventos e circunstancias com a força de vontade e influenciar as emoções das   outras pessoas. 

Foi ela que dominou o Havaí após a chegada do poderoso kahuna Paao Samoa, por volta de 1275 d.C. ele instituiu uma hierarquia estrita na ordem de ku e introduziu o sacrifício humano, uma prática que decididamente não faz parte da tradição kahuna. Depois da chegada de Paao e do chefe por ele instalado, todo o tráfico entre o Havaí e o mundo exterior cessou, até a vinda do capitão Cook. 

 

A ORDEM DE LONO

A abordagem  desta ordem, os “Intelectuais”. É intelectual/mecânica. No Havaí, ela gerou os médicos e cirurgiões, os agricultores, navegadores, astrônomos e astrólogos, os meteorologistas e os projetistas de navios, que orientavam a construção das grandes canoas oceânicas. Na cura e na psicoterapia, esses kahunas enfatizam o uso de ervas e drogas, dieta e fontes naturais de energia curativa, tais como a luz do sol, sal marinho, cristais e locais especiais descobertos da geomancia (uma forma de adivinhação usando supostas correntes de energia na terra). Eles veem o ambiente como algo a ser manipulado por meio da compreensão da mecânica de sua operação. 

 

A ORDEM DE KANE

Esses “intuitivos” possuem uma abordagem espiritual integrativa. As técnicas usadas pelas outras duas ordens são consideradas ferramentas de uso temporário até se alcançar a compreensão básica de que o mundo exterior é apenas uma reflexão do pensamento. A ênfase é a unificação ou integração de espírito, mente e corpo com o propósito do autocontrole, sendo ele a chave para o domínio da vida. Na cura, a importância básica é dada aos efeitos do pensamento sobre o corpo, e as crenças atuais são consideradas mais influentes do que as experiências passadas. O ambiente é visto como uma extensão do corpo, igualmente influenciado por pensamentos e crenças. A imaginação é a ferramenta mais importante dessa ordem, e boa parte do treinamento diz respeito ao uso disciplinado dela. Esses kahunas trabalham com estados alterados de consciência e o uso refinado das habilidades psíquicas, mais do que as outras ordens.

 

OS RENEGADOS

O fenômeno mais temido no Havaí era a “oração de morte”, uma forma de telepatia emocional destrutiva, frequentemente combinada com sugestão negativa. Quase todos os kahunas que a praticavam era renegados da ordem de Ku, embora houvesse também feiticeiros não-kahuna que a usavam também. O epíteto mais comum aplicado a eles era kahuna’ai pilau (kahunas que comem imundície).  Fosse para ganhar poder sobre os outros ou apenas por ganho financeiro, eles usavam seu conhecimento de psiquismo, psicologia e energia emocional para ferir ou matar.

 

OS KAHUNAS HOJE

Se supõe não haver no Havaí atualmente mais que vinte e cinco kahunas genuínos, dos quais apenas meia dúzia seria da ordem de Kane. O resto está dividido quase de maneira regular entre Ku e Lono. No entanto, muitos daqueles que se diziam kahunas são apenas paranormais e curandeiros individuais, ou pessoas que dão um show aos turistas. Com poucas exceções, os genuínos kahunas, ou se retiraram totalmente da sociedade ou a ela se integraram, de modo que ninguém sabe quem são ou o que podem fazer. 

 A TRADIÇÃO INTERIOR

A filosofia kahuna pode ser resumida em quatro afirmações, cada uma representada por uma única palavra-chave havaiana:

1. “Você cria a sua realidade (Ike)”. Isso significa a sua experiência pessoal da realidade, cada parte dela. Você a cria através de suas crenças, expectativas, atitudes, desejos, medos, julgamentos, interpretações, sentimentos, intenções e pensamentos constantes e persistentes. 

2. “Você recebe aquilo em que você se concentra (Makia)”. Os pensamentos e sentimentos que você nutre, ciente ou não deles, formam o molde para trazer à sua vida a experiência mais equivalente possível àqueles pensamentos e sentimentos.

3. “Você é ilimitado (Kala)”. Não há limites para o seu eu, não há limites  entre você e seu corpo, você e o mundo, ou você e Deus. 

4. “O seu momento de poder é agora (Manawa)”. Você não está preso a nenhuma experiência do passado nem a qualquer percepção do futuro, pois o passado é apenas uma memória e o futuro uma mera possibilidade. Você tem o poder no momento presente de mudar as crenças limitantes e, conscientemente, plantar as sementes para o futuro de sua escolha. Se você muda o pensamento, muda a experiência. 

 

A “BÍBLIA” KAHUNA

Boas parte da filosofia kahuna está incorporada na assim chamada “Canção da Criação”, também  conhecida como Kumulipo, que é o termo mais próximo de uma “bíblia” kahuna que conhecemos hoje. Originalmente parte de uma tradição oral passada aos kahunas treinados em memória perfeita, ela provavelmente foi compilada mais ou menos na forma atual em 1700, pelo kahuna Keaulumoku. 

Na filosofia kahuna, tanto o mundo espiritual quanto o material, ganham forma graças a uma interação entre forças relativas, frequentemente representadas por um homem e uma mulher. Para cada “deus” no panteão havaiano, com poucas exceções, há um equivalente feminino para ajudar com a criação. Muitos são mencionados nas sete primeiras seções do Kumulipo,  junto a versos que parecem contar a formação da vida animal e vegetal na Terra. As entoações ou seções oitava e nona aparentemente falam do nascimento do homem para a percepção consciente e de sua multiplicação sobre a Terra.

 

O CONCEITO DE DEUS

A religião popular do Havaí era repleta de deuses e deusas, fantasmas, fadas, elfos, duendes e espíritos que mudavam de forma a seu bel-prazer e podiam ser amistosos ou hostis com o homem, dependendo da maneira como fossem tratados. Entretanto, essa visão popular era apenas uma distorção do conhecimento kahuna.

 

KANE

Externamente Kane era considerado o deus superior e mais espiritual, nunca representado por uma imagem esculpida. No máximo, ele seria representado por um objeto natural, geralmente uma pedra ereta, sem ornamentos. Era tido como um deus de paz e amor, e seu equivalente feminino era Wahine. Em diálogos banais, Kane significa “homem” e wahine “mulher”.  Kane e Wahine eram, portanto, símbolos equivalentes ao conceito chinês de yin e yang. Para os kahunas, Kane e sua companheira representavam o eu-deus de natureza dual presente em cada ser humano, semelhante ao “Cristo interior” dos cristãos ou à mente do Buda dos budistas. 

Ele/ela é, em outras palavras, a essência espiritual e a fonte do indivíduo, a alma, o Eu Superior ou Eu Maior. Outro termo para esse “deus pessoal” é aumakua,

 

 KU 

Ku era extremamente associado à fertilidade, chuva, feitiçaria e guerra.  Psicologicamente, Ku representa o que pode ser chamado de “corpo/mente”, a consciência organizadora do corpo, o recebedor de informações sobre o mundo físico (visíveis e invisíveis), e o executor da ação.  É tentador chamá-lo de “subconsciente”.

A estatueta desse  akua mostra um ser praticamente sem cocar, com serpentinas descendo até o chão (envolvimento primário com o mundo físico), e os olhos fechados (percepção limitada). 

LONO

Lono era o deus da agricultura, medicina e meteorologia na religião exterior. Na psicologia kahuna, ele representa o intelecto, a porção da mente que percebe, interpreta e dirige.  A estatueta de Lono é um ser com um cocar alto (imaginação criativa)_, serpentinas curtas que não chegam ao chão (contato indireto com o físico), e sem olhos (dependente de outra fonte para ter informações sobre o mundo). 

KANALOA

Nas lendas havaianas mais antigas, kanaloa é sempre mencionado como o companheiro de Kane, e os dois viajavam pelas ilhas em busca de fontes de água. Kanaloa era conhecido como um deus de cura e dos oceanos, e costumava ser representado por um polvo ou uma lula, bem como por uma figura esculpida específica. 

A palavra kanaloa significa “seguro, firme, inconquistável”, e é usada como uma referencia poética para comida, um símbolo para poder. Na tradição kahuna interior, kanaloa representa o Homem Ideal – plenamente ciente, plenamente físico e ao mesmo tempo totalmente espiritual, amando e sendo amado e vivendo em contato com sua fonte. A figura esculpida mostra um ser com um cocar alto (o poder do pensamento criativo), serpentinas chegando ao chão (envolvimento direto com o físico), e os olhos bem abertos (percepção completa do mundo físico e do espiritual). 

HOMEM TRINO

Na filosofia e psicologia kahuna, o homem é um ser espiritual com três aspectos representados por Kane, Ku e Lono. No estado ideal, os três funcionam como um, representado por Kanaloa, e nesse estado o homem também é capaz de expressar seu pleno potencial. 

 

A DIVINDADE

 

Os kahunas também reconhecem uma Divindade ou um Deus Supremo, infinito, e o termo que usam para isso é Kumulipo, a mesma palavra usada para a Canção da Criação e que pode ser traduzida como “fonte de vida”. Kumulipo é considerado imanente na natureza, e a unidade inerente de todas as coisas é aceita como uma verdade básica. 

A visão que eles têm deste mundo é muito mais ampla do que a visão tradicional na cultura ocidental, e sua percepção do mundo envolve pontos de vista de vários estados de consciência, por isso, eles sentem que há muito campo para trabalho no “aqui-e-agora” sem especulações inúteis  sobre a natureza da Divindade. Huna é uma filosofia pragmática, e não existem teólogos entre os kahunas. Kumulipo é tudo  o que existe, infinito, inerentemente amando tudo. Não há muito mais o que dizer sobre isso. 

 

ESPÍRITOS

 

O deus pessoal, ou o eu-deus (Kane ou aumakua), não é limitado à humanidade, na filosofia kahuna. Como Deus está em tudo (ou tudo está em Deus). 

Num sentido profundo, tudo é vivo, ciente e responsivo. E tudo, até mesmo aquilo que os cientistas ocidentais consideram matéria “morta”, tem um Eu Superior com o qual se pode comunicar conscientemente. A comunicação inconsciente, ou a telepatia subconsciente, está sempre ocorrendo entre nós e nosso ambiente, porque é a forma primária na qual o mundo interage consigo mesmo. Como humanos, porém, temos o potencial para a comunicação telepática consciente, deliberada, com qualquer coisa, e, portanto, o potencial para influenciar propositalmente o ambiente através de meios não físicos. Daí surge a ideia de que existem identidades, (aumakuas ou simplesmente akuas) para grupos de coisas, assim como para os indivíduos, e de que a essência grupal é mais do que a soma de suas partes. Assim, uma árvore tem seu próprio aumakua, e a floresta – da qual ela faz parte.

Antigamente, um kahuna pedia permissão ao espírito de uma árvore antes de cortá-la, ao espírito de um vale antes de atravessá-lo. Ele fazia isso por respeito pela fonte que vivia em tudo, para garantir cooperação. Hoje, um kahuna pode falar com seu carro ou sua casa da mesma maneira, e usar o mesmo conceito em seu trabalho de cura. 

Os kahunas reconhecem formas-pensamento, manifestações de campos de energia, complexos aparecendo como personalidades separadas, efeitos de extrema sensibilidade telepática ou clarividente, o equivalente dos anjos, bem como “ideias em ação”. Apesar dos contos e lendas populares, a filosofia kahuna não inclui a ideia de verdadeiros diabos, demônios ou espíritos dos mortos vagando. Estes são vistos como formas-pensamento criadas consciente ou inconscientemente, ou manifestações de complexos negativos. 

 

CRENÇAS E REALIDADE

 

Para os kahunas, a crença é a base para a experiência de qualquer realidade. A ideia é que nossa experiência é condicionada pelo que acreditamos, e só podemos experimentar aquilo que acreditamos ser possível em algum nível de consciência. Quanto mais acreditarmos numa coisa, mais profundamente ela afeta nossa experiência. Obviamente, uma das principais tarefas do curandeiro kahuna é ajudar as pessoas a mudar suas crenças doentias em crenças saudáveis. 

As crenças acalentadas pelas pessoas podem ser divididas em três tipos, todos mantidos ao mesmo tempo. O primeiro tipo é a pressuposição (paulete), um estado e crença no qual não há dúvida nenhuma e a experiência consiste no que se acredita. O segundo é a atitude (kuana), ou as crenças que abrem margem para dúvidas,mas, por serem tão habituais, continuam a influenciar a experiência. O terceiro tipo é a opinião (mana’o), uma crença facilmente mudada à luz de um novo conhecimento.

Você cria a sua realidade por meio de suas crenças, dizem os kahunas, e as espécies de realidades criadas também podem ser classificadas em três categorias. Os psicólogos ocidentais estão familiarizados com as assim chamadas realidades subjetivas e objetivas, a essas, os kahunas acrescentam uma terceira, que eu chamo de projetiva. 

A realidade subjetiva é pono’i, uma palavra referente ao sentido que uma pessoa tem do que é certo, apropriado, bom, moral, correto, bem-sucedido, útil, etc. é a realidade do julgamento, e aquela que tem o maior efeito na saúde e felicidade.

Em seguida vem a experiência objetiva, ou, como prefiro chamá-la, realidade compartilhada.  A palavra para isso é oia’i’o, que tem significados de substancia e fatos, e se refere ao modo como as coisas parecem ser,  independentemente de atitudes e opiniões. É a realidade da aparência e interpretação, da tecnologia e da lida prática com o mundo material. 

Essa realidade é mais facilmente mudada por meio de uma nova interpretação dos fatos, como frequentemente fazem os inventores. 

O terceiro tipo de realidade é maoli, que significa “devido à vibração”. Essa é a realidade que começa como subjetiva e se torna objetivada por meio de contínua projeção mental. É uma realidade que você cria ou partilha da criação propositalmente, levando o seu desejo do nível de uma ideia ou imagem ao nível da experiência física. Não é uma coisa estranha que só os adeptos podem fazer após muitos anos depois  de prática disciplinada. Você faz isso sempre que planeja e executa um projeto. Praticamente o mesmo processo pode ser usado para efetuar uma cura. Os kahunas não veem a realidade como algo separado ou fora de nós mesmos, mas tratam-na como parte essencial de um estado psicológico. O potencial que temos é enfatizado pelo fato de que maoli também pode ser traduzido como “um estado de alegria”. 

 

VIDA E MORTE

A palavra havaiana para a vida é ola, e a mesma palavra é usada para “um meio de sustento ou renda, curar ou ser curado, bem-estar, bem, salvação, conceder vida”. 

A vida é percebida pelos kahunas como algo que flui e se move em ciclos, como a respiração e a água. 

A filosofia kahuna trata a morte como uma continuação da vida numa direção ou estado diferente.  A morte é vista como parte da vida, tão natural quanto a mudança das estações ou a metamorfose de uma lagarta em borboleta.  O quando e como são questões de crença pessoal e cultural. 

Você tem um propósito e o seu Eu Superior providenciará para que esse propósito seja cumprido, seja em poucas horas ou cem anos.  A vida após a morte é considerada um lugar para se reavaliar a vida, renovar-se e rever velhos conhecidos, e ter nova experiência e crescimento. O nome para esse estado é Po, e os kahunas dizem que o visitamos todas as noites em sonhos, quando estamos livres do corpo, e também em certos estados de transe.

Nós nascemos de Po, visitamos Po regularmente e a ele retornaremos, talvez para dele nascer novamente.  Quando dizemos nós, a referencia é ao intelecto e ao corpo. Eu Superior (aumakua) existe continuamente em Po. 

Po é mais como um estado multidimensional existindo simultaneamente e ocupando o mesmo espaço que a vida física. A comunicação entre Po e Ao (vida desperta) é possível porque a pessoa inteira existe nos dois mundos ao mesmo tempo, e é só uma questão de mudança de percepção.

A reencarnação faz parte da filosofia kahuna, mas o conceito é radicalmente diferente da maioria dos outros sistemas de pensamento, porque o conceito kahuna de tempo também é radicalmente diferente.  Sucintamente, o tempo é uma forma de vibração energética, como o som ou a luz, e que como eles, possui  campos de  frequência. Todos os “tempos” estão acontecendo ao mesmo tempo. Com nossas mentes, somos capazes de transcender limites físicos e ter consciência daquelas porções de nosso eu total que “agora” existem em outros tempos e lugares. 

Seu atual sistema de crenças determina partes de suas outras vidas que você pode conhecer. Você pode mudar sua crença, explorando, compreendendo e afetando vidas “passadas”, ou explorando, compreendendo e afetando esta vida.  

 

BEM E MAL

Qualquer filosofia cujo objetivo é servir de diretriz para a conduta humana deve lidar com o problema do bem e do mal, conforme ele aparece no mundo. O método kahuna é extremamente prático e simples. Para começar, não há um paralelo em Huna à noção de um ser maligno como satanás. Eles ensinam que cada ser humano é responsável por suas próprias ações e pelos resultados destas.  Tampouco existe um conceito de pecado contra Deus, no sentido ocidental. As leis de Deus são leis naturais, tais como a gravidade, impulso, magnetismo,  etc.. Por sua natureza, essas leis não podem ser “quebradas por pecado” sem efeitos imediatos. 

Abandonar o local de um acidente ou não pagar impostos são omissões que se encaixariam nessa categoria. O segundo tipo de pecado é hewa, o erro do exagero, de fazer alguma coisa em excesso e, portanto, não para o bem do indivíduo e da sociedade.  Esse erro também pode e deve ser retificado. Alcoolismo, dirigir sem cuidado e perturbar a paz são atividades hewa. Nem hala nem hewa são considerados atos malignos – estúpidos e loucos, talvez, mas não malignos.  A verdadeira palavra para o mal é ‘ino, que significa prejudicar alguém intencionalmente. 

O intento faz a diferença, e o indivíduo é o juiz de si mesmo, no sentido ético.

Usando a palavra sociedade em referencia a qualquer tipo de grupo, os kahunas reconhecem que uma sociedade pode estabelecer qualquer regra, lei ou padrão ético que desejar e estipular formas de punição para a desobediência. 

O único pecado universal é a violência contra a vida. Isso inclui dano intencional de qualquer espécie, e se aplica também a plantas, animais ou à própria Terra, bem como os seres humanos. 

 

AMOR E EMOÇÕES

Max Long formulou um “mandamento” Huna, o qual definiu como “Não prejudicar”. Entre os kahunas, porém, esse princípio é afirmado mais positivamente como um chamado para o amor.

Aloha = amor

Seguindo a visão kahuna segundo a qual a experiência segue o pensamento e tudo é parte de um todo, você não pode cometer violência sem antes se sentir violento a respeito de si mesmo, não pode odiar os outros antes de se odiar, e não pode  amar sem amar a si próprio.

A palavra havaiana para o amor é aloha, que a maioria dos turistas em Honolulu sabe que também significa “olá” e “adeus”.  Mas aloha é usada para esses cumprimentos justamente porque significa amor, pois a melhor maneira de cumprimentar ou se despedir das pessoas é com amor. Agora, o que é o amor? A própria palavra responde. De acordo com as raízes, significa “crescer e prosperar alegremente juntos”, “compartilhar a experiência da vida”, e “ser feliz com (alguém)”. O amor é um modo de agir em relação às outras pessoas de sentir algo por si mesmo e pelos outros. Esse modo de agir é  sempre uma espécie de cura, incentivando o objeto amado a prosperar e brilhar. Pode-se dizer, portanto, que amar é curar e curar é amar. 

As emoções são vistas pelos kahunas como uma excitação de energia por todo o corpo, e todas as palavras havaianas relacionadas às emoções refletem essa ideia. A estimulação do fluxo emocional pode vir dos seus pensamentos ou de um evento externo, mas de qualquer forma são os pensamentos que perturbam a emoção, e uma mudança de pensamento pode mudar as emoções que você experimenta. 

 

RELATIVIDADE

O conceito de relatividade é muito importante na filosofia kahuna, especialmente em relação à cura. A ideia Huna é muito semelhante ao conceito yin/yang dos chineses: tudo é relativo a alguma coisa. Nada pode ser descrito ou experimentado exceto em relação a alguma outra coisa, pois não existem absolutos no mundo de nossa percepção.

Deus é infinito;

Portanto Deus é toda a verdade;

Portanto a verdade é infinita;

Portanto tudo que é, é verdadeiro.

 

Como o homem não percebe a infinidade, nunca pode enxergar mais do que uma porção da verdade, e essa porção depende inteiramente de seu sistema de crenças. À medida que mudam suas crenças, também muda sua verdade, e, portanto, sua experiência. A percepção da verdade, portanto, é relativa ao estado mental. Não existem absolutos; não há significado sem relacionamentos; todas as coisas são não apenas interativas, mas interdependentes. 

Curar a si próprio é o mesmo que curar o mundo, e curar o mundo é curar a si próprio. 

 

PRÁTICAS PSÍQUICAS

Níveis de consciência

Os kahunas reconhecem vários modos de perceber a realidade, e também usam vários níveis de percepção ao realizar suas práticas, cada qual com seu conjunto de regras ou estrutura de crenças. Com isso, eles seguem o conceito psicológico de que vivemos num universo multidimensional, e que podemos alcançar diferentes efeitos e experiências, mudando nosso foco de uma dimensão, ou nível, para outra. Esses níveis supostamente coexistem, de modo que a mudança de um para  outro envolve apenas um desvio de atenção.

 

Primeiro Nível: Físico (Ike Papakahi)

Este é o nível do que poderia ser definido como a experiência física bruta.  Embora não seja irreal, este é um nível de percepção apenas parcial. 

Segundo Nível: Psíquico (Ike Papalua)

Esse é o nível da maior parte da experiência psíquica. A subjetividade se torna mais importante, mas ela é usada como meio de atuar no mundo exterior. Daqui, você pode usar técnicas mentais para criar eventos objetivos. 

Terceiro Nível: Relacional (Ike Papakolu)

Este é o estado da inter-relação ou da relatividade. Tempo, espaço, matéria, energia, humanos, plantas e animais se tornam conceitos relativos que interagem constantemente e que não têm significado, exceto em relação uns aos outros. Enquanto os dois primeiros estados são orientados primariamente pela ação, este e o seguinte são mais orientados pela informação. Por exemplo: um adepto kahuna pode usar este estado para aprender a verdadeira natureza da doença de uma pessoa, mudar para o segundo estado afim de realizar uma cura psíquica, e voltar depois ao primeiro para dar uma massagem ou um remédio de ervas, ou ainda para fazer um ritual que impressione o paciente. 

Quarto Nível: Místico (Ike Papakauna)

Este é um estado de percepção mística da unicidade do universo. Alguns escritores o chamam de consciência cósmica, e, embora a vivencia desse nível possa alterar o modo como uma pessoa vê a vida e resolve agir a partir de então, é um estado puramente subjetivo e não pode ser usado de nenhuma maneira “prática”. Como exemplo, se um kahuna deparasse com um leão devorador de homens, poderia usar o segundo nível para influenciar o animal telepaticamente e mandá-lo embora, e poderia mudar para o terceiro nível e determinar por que se deixou cair numa situação assim, aprendendo a mudar seu modo de pensar e não repetir o ato,  se ele mudasse para o quarto nível, compreenderia que ele e o leão estão unidos no grande esquema das coisas e o que quer que acontecesse estaria certo aos olhos do universo. Entretanto, se ele contasse somente com este estado, provavelmente seria devorado. 

 

MENTE, ENERGIA E MATÉRIA

 

Em sua busca pelo conhecimento dos kahunas, Max Long disse que foi orientado a procurar três fatores: uma forma de consciência (no’ono’o), uma forma de força (mana), e uma forma de substancia (aka). Como as três são essenciais às práticas psíquicas kahunas, será necessário uma breve  explicação de cada uma. 

Nesse contexto, a consciência (no’ono’o) é vista na forma de imaginação e tem dois aspectos. Um é o de “olhos do subconsciente” (makaku), a imaginação baseada em crenças atuais. Esse aspecto é usado na coleta de informações psíquicas (a imaginação não é só fantasia), e geralmente é chamado de “sintonização” por sensitivos e paranormais.  O segundo aspecto (laulele) tem na raiz os significados de padrão embrionário e de espalhar ou voar para fora. Trata-se de imaginação conscientemente desejada e dirigida, do tipo que um arquiteto usa antes de colocar suas ideias no papel. Com  laulele, o kahuna estabelece um padrão mental para o que ele deseja alcançar.

 

Para o kahuna, a verdadeira chave do trabalho psíquico é a força psíquica ou o poder divino (mana). Isso se refere ao poder de qualquer espécie, mas principalmente a confiança e a energia. Como energia, é a força vital que permeia o universo, altamente concentrada nas coisas vivas. Pode ser acumulada, focalizada e transferida de uma pessoa ou um objeto para outro. Mana parece ter muitas das características da eletricidade, do magnetismo e da gravidade, e os kahunas interpretam essas três coisas como variações de mana. Muita atenção deve ser dada ao modo como se aprende a aumentar conscientemente o suprimento disponível. Um modo de fazer isso é usar a imaginação, consciente ou a visualização, imaginando que o mana está aumentando. 

 

A prática mais comum, porém, é o desenrolar consciente da emoção. Para os kahunas, a emoção é mais do que o mero sentimento, é  o movimento de mana no corpo acompanhado por um pensamento específico. A emoção forte é comparada à presença de uma grande concentração de mana. 

 

Aka é a “matéria” básica do universo físico, da qual toda manifestação material é formada. A palavra tem o significado de “luminoso, transparente, sombra, reflexo, espelho, essência”. Aka funciona como um espelho que reflete padrões de pensamento no nível tanto psíquico quanto físico. Algumas formas de aka são conhecidas pelos sensitivos como matéria etérea ou astral, e, sob certas condições no estado psíquico de percepção, ela aparece como algo luminosamente transparente. 

 

SIMBOLOGIA

 

Ao ensinar e praticar suas artes psíquicas, os kahunas fazem grande uso de ferramentas e símbolos metafóricos. 

Os kahunas sabem que o poder real de uma palavra está em sua significância psicológica. O som, sozinho, pode estimular um fluxo de mana, mas o som formado em uma palavra com impacto psicológico tem um efeito muito maios. 

Tanto para ensinar quanto para aprender, geralmente é útil aplicar metáforas.  Os kahunas também usam metáforas de uma maneira semelhante para explicar os diferentes aspectos dos conceitos que ensinam. Veja a seguir algumas das metáforas usadas por kahunas havaianos.

 

Pensamentos: pacotes, agrupamentos, sementes, redes, teias, quaisquer instrumentos contundentes, clubes, brotos e filhotes de animais, peixes e flores. 

Poder: água, chuva, nevoeiro e neblina, ondas e vagas, fogo, comida, ramos e galhos, e cores (especialmente a vermelha).

Matéria: uma ponte, um arco, um arco-íris, uma caverna ou gruta, corda, fio ou cordão, sombras, um embrião, articulações do corpo, ganchos e nuvens. 

 

CATEGORIAS DE PODERES PSÍQUICOS

 

Telepatia (una)

Nesse uso kahuna mais estrito, uma (telepatia) é a transmissão de pensamentos ou ideias por uma ação da mente e da energia psíquica. Refere-se somente a enviar, não receber, e apenas à telepatia intencional. Os kahunas acreditam que a comunicação mental é uma função natural de todos os seres humanos, e que está em constante operação, apesar da limitada percepção das pessoas. Uma é diferente, é aplicada com o uso da vontade, e o processo é muito simples. Você focaliza sua atenção na pessoa com quem quer fazer contato, acumula um suprimento de mana, fixa claramente o pensamento que quer transmitir, e controla o caminho pela força da vontade. A efetividade prática, porém, só é  alcançada através do exercício disciplinado e de um apurado conhecimento da natureza da mente, da energia e da matéria. 

Os kahunas ensinam que essa habilidade não é afetada pela distancia, mas, ao se transmitir a um paciente fora do campo de visão, é ainda mais importante ter uma imagem muito nítida dele. 

 

Clarividência (Kilo/Nana Ao) 

A palavra clarividência se refere a dois fenômenos distintos: a habilidade para receber informações mentalmente (kilo) e a habilidade para ver auras e formas livres de energia (nana ao).

A recepção mental inclui a ideia ocidental de receber mensagens telepáticas e a técnica conhecida como “psicometria”, um  processo pelo qual alguém recebe informações sobre pessoas e eventos a partir de um objeto que, de certa forma, esteja a eles relacionados. Também se incluem aí aquelas formas de clarividência nas quais é usada uma ferramenta intermediária, como uma bola de cristal, leitura de cartas e a interpretação de augúrios. Todas elas usam a mesma técnica básica para se alcançar um estado de comunicação mental (ike papalua) através de vários exercícios de concentração e dissociação: focar a mente na pretendida fonte de informação, estar alerta à entrada de informações na forma de imagens, sensações e sentimentos durante o período da focalização.

Aplicadas à cura, essas práticas são usadas basicamente para diagnosticar as causas mentais e comportamentais de doenças e para localizar as áreas de tensão no corpo. 

Os kahunas que praticam Nana Ao como cura, usam-na para determinar áreas de tensão no corpo. Eles também avaliam estados emocionais interpretando visualmente as cores que aparecem e/ou as áreas de relativa luz e sombra. 

 

Pré-cognição (Wanana)

 

 

A pré-cognição – arte da adivinhação – é um conceito que assombra e ao mesmo tempo frustra os cientistas e filósofos. Entretanto, o peso das evidencias demonstra que aparentemente é possível ver o futuro e ter um pré-conhecimento de eventos ainda por vir, embora não exista uma prova de alguém que faça isso com cem por cento de acuidade. De fato, a incorreção das previsões paranormais deixa os pesquisadores ainda mais perplexos.  A grande pergunta é por que algumas previsões são altamente corretas, outras parcialmente, e outras totalmente incorretas, ainda que todas sejam feitas pela mesma pessoa. 

Adivinhação, ou pré-cognição, é uma prática kahuna muito comum, e todos os kahunas adeptos a usam, pelo menos até certo ponto. 

Os kahunas ensinam que o presente é o fruto do passado, e a semente do futuro. Portanto, ao examinarmos com atenção o presente, podemos prever o futuro. 

A ideia de influenciar conscientemente o futuro é inseparável da adivinhação kahuna. Tendo visto os prováveis resultados dos pensamentos e das ações de hoje, ele pode tomar medidas para mudar esses mesmos pensamentos e ações, ou seja, propositadamente introduz novas variáveis para mudar o provável resultado. 

 

Psicocinesia (Kalakupua)

Os pesquisadores ocidentais definem a psicocinesia como “fazer um objeto mover-se só com a força da vontade”, mas essa definição limitada não serve para os kahunas. Em primeiro lugar, eles ensinam que só a vontade (‘ono) não é capaz de fazer nada. Também é necessário ter imaginação (no’ono’o) para proporcionar o padrão do movimento, energia (mana) para suprir o poder, e um  meio reativo (aka) através do qual o poder pode operar. Sem esses, nem a mais intensa vontade funciona. 

Como acreditam que o mundo físico é um reflexo do pensamento, os kahunas acreditam que todas as mudanças em condições são causadas pela psicocinesia, estendendo sua interpretação, e que isso é um processo natural empregado inconscientemente por qualquer pessoa, em menor ou maior grau. 

 

Destruição Psicocinética (Ana-ana)

Os kahunas ensinam que a única diferença entre cura psicocinética e destruição psicocinética é o intento do praticante, pois o processo usado para ambas é quase o mesmo, e o resultado final é determinado pelos tipos de pensamentos e emoções em ação. Só kahunas renegados e independentes, feiticeiros pervertidos, recorriam a essa prática. 

Seria um erro grave considerar a destruição telepática meramente uma supertição baseada só no medo. Experiências bem-sucedidas com a transmissão telepática de ideias, emoções e diretrizes, feitas por pesquisadores de parapsicologia, fornecem uma base nítida para a aceitação do conceito, por mais repugnante que isso seja. O termo Ana-ana, usado em havaiano, implica fazer algo em excesso segundo um plano, e é usado genericamente para englobar todas as práticas que poderiam ser chamadas de “magia negra”, mas principalmente a assim chamada oração de morte. 

A parte psíquica do processo é quase idêntica àquela usada pelos kahunas curandeiros para a cura a distância. 

 

Contrafeitiçaria

Há três categorias gerais de técnicas usadas na contrafeitiçaria kahuna. A mais comum, por causa da sua eficácia generalizada, é pale. Pale é a visualização de um escudo envolvente de luz branca (la’a kea), acompanhada por fortes emoções  positivas e sugestões de força e proteção. Pale tem melhor efeito se o indivíduo aprende a usar a técnica sozinho e quando acredita em sua eficácia. 

Outra categoria de métodos de contrafeitiçaria tem a ver com infligir destruição ao feiticeiro pelo mesmo meio usado na vítima. 

A terceira técnica usada em contrafeitiçaria, principalmente pelas Ordens de Lone e Kane (Intelectuais e Intuitivos) é kala, que entre outras coisas significa “libertar uma pessoa de influencia maligna”.

Seu fundamento é libertar a vítima dos próprios medos e culpas, e  “desfazer ganchos”. Essencialmente, é uma forma de psicoterapia aplicável à feitiçaria Ana-ana.

 

ABORDAGEM MENTE/CORPO

 

O Eu Superior (Kane/Aumakua)

Na psicologia moderna o equivalente a esse aspecto do eu, ou do self, seria o da “superalma” ou “superconsciente”. 

Os kahunas comparam a função do Eu Superior à de um professor e de um artista criativo. Como o professor, o Eu Superior é considerado a fonte de todo o conhecimento que você possa desejar ou de que possa precisar. 

 

Mente Consciente (Lono)

A mente ou o eu lono é mais ou menos análoga à “mente consciente”, na psicologia. É aquele aspecto da mente que se concentra na realidade física, forma crenças, atitudes e opiniões sobre ela. A mente lono é uma receptora de informações sutis e brutas de várias fontes e uma orientadora de ação. 

Boa parte da cura kahuna envolve ajudar o lono de uma pessoa a mudar sua visão dos fatos aparentes. 

 

O Subconsciente (Ku)

De certa forma, o eu Ku, ou “mente corpo” como pode ser chamado, é análogo ao subconsciente na psicologia ocidental, mas uma analogia melhor pode ser com um computador vivo, não material.

Essencialmente, as funções do ku são manter a integridade do corpo e ter uma visão geral de suas operações, receber percepções e transmiti-las ao consciente, armazenar memória, gerar, guardar, distribuir e transmitir energia, e seguir ordens. 

 

O Corpo (Kino)

O corpo é considerado uma ideia do Eu Superior expressa em forma física, modificada pelas crenças do consciente e mantida pelo mente-corpo ou pelo subconsciente. É uma expressão do eu, assim como uma pintura ou escultura é a expressão de um artista. 

 

O conceito do corpo como uma forma-pensamento é bastante esotérico, em comparação com o moderno pensamento psicológico. 

Relacionado ao corpo é o conceito do corpo etéreo (aka). Sucintamente, o corpo aka é algo como um corpo invisível, duplicado, ocupando o mesmo espaço que o corpo físico, e fornecendo o padrão essencial em torno do qual se forma o corpo físico. 

 

Fluxo Biológico de energia 

Os kahunas dizem que o meio pelo qual a mente afeta a matéria é mana, a força vital. Em termos de corpo físico, essa energia se manifesta tanto como um fluxo ou corrente quanto como um campo. 

Uma grosseira analogia é a de uma corrente elétrica e seu campo magnético circundante. As propriedades elétricas conhecidas do corpo são consideradas pelos kahunas como subprodutos da corrente e do campo mana.  A principal fonte dessa energia é o Eu Superior, que a fornece de uma maneira inexplicável em termos estritamente físicos. 

Além disso, a força vital ou mana,  é absorvida do ambiente quando você respira ou come. 

Emoções

De acordo com o ensinamento Kahuna, uma emoção surge quando uma crença ou um complexo de crenças são estimulados por um evento externo ou interno, como um pensamento ou uma lembrança.  Isso causa a descarga de uma corrente de energia pelo corpo, descarga esta que age como portadora do conteúdo da crença, assim como a eletricidade passando por um fio telefônico pode transmitir o conteúdo de uma conversa.  A mente consciente (lono) percebe isso como um sentimento emocional, ao mesmo tempo em que o subconsciente (ku) coloca em movimento uma reação programada ou habitual à crença, a menos que tenha instruções contrárias  da mente consciente (lono). Um exemplo seria você se lembrar de um insulto,  ficar zangado novamente. 

A natureza e a formação de complexos

Uma crença pode ser definida como qualquer ideia que você aceita como verdadeira – uma ideia que valida ou invalida a experiência pessoal. Os kahunas consideram as crenças padrões mais ou menos resistentes de pensamento que são literalmente incorporados, em sua maioria absorvidos pelo corpo, e que governam ou influenciam todo comportamento mental e físico.

 

MÉTODOS DE CURA

A cura kahuna envolve toda a pessoa: o Eu Superior, a mente consciente, o subconsciente e o corpo – e também o ambiente da pessoa.  Uma vez que o seu propósito é efetuar uma cura e não comprovar determinado método, ela é direcionada para as necessidades individuais. O mesmo kahuna pode usar métodos muito diferentes para tratar duas pessoas com sintomas idênticos porque as crenças delas podem ser diferentes.  E as crenças, de acordo com Huna, estão na raiz de toda doença. 

A ideia kahuna de trabalhar com crenças para iniciar a cura se reflete no termo havaiano geral para saúde e cura, ola. Essa pequena palavra, que tem muitos outros significados, todos relacionados à melhora da vida de uma pessoa, talvez seja mais bem traduzida como iluminação (o- entrar, la- luz).

 

Num certo sentido, podemos dizer que todos os métodos de cura kahuna são baseados na sugestão hipnótica – compreendida como mudança de crenças – e que todos os métodos não-hipnóticos usados por eles servem meramente para facilitar esse processo. 

 

Terapia Estratégica

Os métodos de cura estratégica podem ser classificados nas categorias de Abordagem Material, Abordagem Energética e Abordagem Mental. O modo como elas são aplicadas e combinadas depende da natureza a doença e do sistema de crenças do paciente. 

 

A Abordagem Material

Essa categoria inclui o uso de remédios, dieta, ritual, amuletos e qualquer  outra coisa que envolva a introdução de um objeto ou evento formal no processo de cura. 

 

Remédios

Os kahunas têm uma visão distintamente não ortodoxa dos efeitos do remédio, baseada em sua ideia de que a doença não é causada por bactérias, vírus ou agente carcinogênicos, mas sim por tensão resultante de conflitos de pensamento e energia emocional. De acordo com essa visão, as epidemias são causadas por reações individuais à telepatia social, e não pela disseminação de infecções vindas de fatores exteriores. 

A crença kahuna de que a doença resulta de tensão é verificada nas raízes do termo Huna para remédio e tratamento médico. A função do remédio é estimular um excitamento de fluxo energético no corpo que ajudará a dissolver a doença induzida por tensão. Além de elementos químicos e ervas, eles incluem partes de peixes, animais e plantas cujos nomes, natureza e aparência significam características de cura. Luzes coloridas, vestimentas e objetos também são usados por causa de seu efeito psicológico e filosófico. 

Outra forma de “remédio” normalmente usada e apreciada pelos kahunas é a água pura, infundida com mana do kahuna e suas formas-pensamento acompanhantes. 

Dieta

Os kahunas dão importância à dieta porque os alimentos que comemos normalmente refletem nosso estado de espírito. Por isso, se você muda sua dieta, isso pode ajudá-lo a mudar seu estado de espírito. 

Os kahunas costumam recomendar muita fruta fresca (“viva”), e legumes e vegetais crus, por conterem mais mana.  Na verdade, os significados da raiz da palavra havaiana para a comida, ‘ai, a associam diretamente a mana, e as raízes da palavra kahuna incluem a ideia de ser ele um cozinheiro, aquele que prepara e divide poder com outros. 

Eles não acreditam que a falta de vitaminas e minerais no corpo de uma pessoa seja causada por uma dieta inadequada, mas por certos tipos de pensamento que resultam num desequilíbrio no metabolismo do corpo. 

 

Ritual

O ritual tem um papel importante na maioria das práticas de cura. O ritual ajuda a estabelecer confiança na autoridade, e isso por sua vez ajuda a abrir a mente do paciente para o processo de cura. 

Objetos Energizados

Os objetos que os kahunas consideram fortes fontes de mana são frequentemente usados porque a introdução de mais mana no corpo, de qualquer que seja a fonte, costuma aliviar tensão e, portanto, os sintomas. Os kahunas acham que podem energizar pessoalmente um objeto com o mana deles para tal fim.

Manipulação Física

Há três subdivisões dessa forma de estimulação energética: lomi, lua e hula.

1. Lomi é uma técnica de massagem direta aplicada aos músculos em estado de tensão aguda ou crônica. É geralmente feita com as mãos. 

2. Lua é uma forma de combate corpo-a-corpo, como o karatê, também praticado por esporte, como exercício e um meio de descarregar tensão emocional. 

3. Hula costuma ser conhecida no Ocidente apenas como uma forma graciosa de dança polinésia, mas a diversão moderna se baseia num antigo sistema para a iluminação do corpo e o desenvolvimento espiritual. 

 

O Corpo (kino)

Há duas formas principais de manipulação de corrente usadas pelos kahunas, ambas baseadas na ideia de que o mana flui como uma corrente no corpo. 

1. Kaomi é uma técnica semelhante à acupressão e consiste em aplicar uma pressão para baixo em pontos especiais no corpo. Às vezes, o alívio do sintoma é imediato e outras vezes são necessários vários tratamentos, dependendo do nível crônico da condição e de quanto medo o paciente tem na mudança. 

2. Kahi é uma técnica que consiste em aplicar pressão delicada às áreas de tensão ou alisá-las levemente com a mão aberta. Aos olhos do observador, a primeira pode parecer a “imposição de mãos”. O segredo da efetividade dessa técnica em aliviar os sintomas é a qualidade de mana emitida pelas mãos do curandeiro. 

 

A Abordagem Mental

Esse método consiste em ensinar ao paciente como usar sua mente de forma mais eficaz, mas sem tentativas de controle mental por parte o curandeiro. É, sem dúvida, o método mais importante no repertório de cura dos kahunas e considerado o cerne de toda a cura, uma vez que toda experiência é um reflexo do pensamento.

O processo para você ensinar uma pessoa como cuidar dos próprios pensamentos e da própria cura se baseia num treinamento em quatro passos que o próprio kahuna faz.

 

Percepção dos Pensamentos (Ike)

Se você pretende conscientemente mudar suas atitudes e pressuposições, precisa antes estar ciente daquelas que tem.  Mas, com frequência, a percepção em si não produz mudança nenhuma. Os kahunas ensinam que isso acontece porque toda experiência contínua é mantida por hábitos, e só a percepção não muda um hábito. O único modo de mudar um hábito é substituí-lo por outro, o que nos leva ao passo seguinte. 

 

Estabelecer Metas (Makia)

As metas, neste contexto, incluem desenvolver novas crenças e hábitos e também fazer planos para o futuro. 

 

Mudar (kala)

Essa palavra tem os significados externos de liberação, liberdade e perdão, mas as raízes trazem o sentido de mudar o caminho de uma pessoa. Perdoar, por exemplo, é mudar o modo como você pensa sobre alguém ou alguma coisa. Para kala funcionar, você deve esta conscientemente disposto a fazer  a mudança e abandonar os velhos hábitos. 

A principal ferramenta usada para alterar um modo de pensamento negativo é a imaginação voluntária, ou laulele.

 

Direcionar Energia (Manawa)

Essa palavra tem os significados de canalizar e direcionar mana contínua e persistentemente. Envolve o real estabelecimento e a manutenção de novos hábitos de pensamento e comportamento, o que só se consegue com prática e mais prática.  A lógica kahuna é que as ideias não se tornam materialmente efetivas a menos que façam parte da mente ku. 

A verdadeira cura pela fé é uma cura de crenças, e, quando isso acontece, a cura é permanente.

 

CURA DIVINA

 

Até agora o elemento mais importante na cura kahuna não foi mencionado. É o eu-deus, aumakua, ou, em termos simples, Deus.  Toda cura, na visão kahuna, na verdade nada mais é do que o resultado de uma comunhão natural com o eu-deus, ou permitir que sua fonte de energia flua livremente ao longo do padrão original no corpo etéreo (aka). Doença e distorção de qualquer espécie resultam da interferência nesse fluxo. A cura mais direta do corpo, da mente e das circunstancias vem quando você envolve o eu-deus em sua vida diária e nos pensamentos, de maneira que inspire amor e confiança.  A prática de amor (aloha) que inclui a experiência de partilhar alegria, é o modo de tornar essa união materialmente efetiva. 

 

“Ainda que eu viaje longe, só conhecerei o que levo comigo, pois todo homem é um espelho. Só vemos a nós mesmos refletidos naqueles que estão à nossa volta. Suas atitudes e ações são reflexos das nossas. O mundo inteiro e suas condições têm seus equivalentes dentro de nós. Olhe para dentro. Corrija-se e o seu mundo mudará”. 

Kristin Zambucka