HUNA X CIÊNCIA

A Huna pode ser chamada de ciência, em vez de religião, porque nada tem em si de religião (como definido antes por um professor de Teologia Filosófica). O Eu Superior não é um deus. É o terceiro espírito, ou parte de um homem. Não é mais divino do que o eu básico ou médio. Está simplesmente um passo mais adiantado em força mental e habilidades criativas. É mais velho, sábio e parental em suas atitudes. Enquadra-se na psicologia como os eus básico e médio (subconsciente e consciente).

Ao apresentar estes comentários sobre Huna, escolhi denominar Huna um sistema psicorreligioso pelo simples fato de incluir muito daquilo que se tem considerado como parte da religião. Entretanto, considero Huna uma ciência, no mais estrito sentido da palavra. Os kahunas nada sabiam sobre deuses – seres mais elevados, talvez, que o Eu Superior. Eles não tinham meio de conhecer tais seres pelos sentidos. Admitiam abertamente que era provável existirem tais seres, mas eram honestos ao dizer estarem convencidos de que nunca a mente humana seria capaz de fazer mais, senão imaginá-los, ou inventá-los, em termos dos humanos inferiores a eles. 

E, outras palavras, a necessidade básica das mais antigas religiões de apaziguar os deuses ou receber favores deles (religião mais magia) é substituído na Huna pela pura operação mágica de orar ao Eu Superior com o propósito de ser contemplado com favores no sentido de curar ou de melhorar as nossas circunstâncias, através da mudança no futuro previsível. 

Por intermédio do Eu Superior era feito um apelo pelos kahunas aos espíritos capazes de controlar o vento e o tempo, como também controladores das formas inferiores de vida. (Pactos feitos desde modo observam, nas águas havaianas, ataques de tubarões contra seres humanos – a não ser que isto seja uma jactância dos antigos kahunas. Em todo caso, a mesma raça de tubarões que atacam homens em outros lugares, é inofensiva nas águas havaianas). 

Não havia lugar, em sua ciência prática, para dogmas que objetivassem a “salvação”. Seus ensinamentos eram simples e todos deveriam saber que o espírito do homem sobrevive à morte e que  as memórias e complexos da vida física são carregados na vida espiritual, aconselhando aos indivíduos a se tornarem livres dos complexos culposos antes de morrer. (Isto deve ter dado origem nos tempos primordiais, às práticas não kahunas, aspirando preparar o homem para uma vida melhor após a morte física). 

Os kahunas acreditavam que, após a morte, havia uma continuação de crescimento e progresso, o eu básico reencarnando, no devido tempo, como eu médio e o eu médio eventualmente elevando-se à categoria dos Eus Superiores, tendo primeiramente que aprender a cuidar das formas inferiores de vida, para, no final, tornar-se um “espírito parental totalmente confiável” ou Eu Superior de um eu básico e médio encarnados no físico denso. 

 A mais importante preparação para a morte deve ser desempenhada pelo indivíduo. Deve este  reduzir ao mínimo os seus complexos culposos e livrar-se das crenças religiosas dogmáticas que o embaraçarão, depois de tonar-se um espírito.

Não é necessário dispender mais do que poucos meses no plano espiritual, antes de continuar o progresso de ascensão, desde que se conheçam os fios condutores, como o sabiam os kahunas. Conhecer a Huna é conhecer os fios da meada.

A única coisa que podemos levar conosco, por ocasião da morte, é o conhecimento e deveria ser o primeiro dever de cada um de nós acumular o correto “entendimento para levar consigo”, adquirindo-o por meio de um estudo cuidadoso das psicorreligiões e o descarte das crenças que não podem ser substanciadas.