TANATOLOGIA

A ARTE DA TRANSIÇÃO - GISLAINE MARIA D’ASSUMPÇÃO

Vida e Morte são duas faces da mesma moeda: a existência.

(Gislaine Maria D’Assumpção)

Este capítulo aborda a Tanatologia, dentro da perspectiva da Psicologia Transpessoal, e sua aplicabilidade pelos terapeutas que lidam com a morte em sua rotina. Seu objetivo é demonstrar como o estudo deste processo, em seus variados aspectos, é capaz de propiciar ao homem maior compreensão e aceitação das perdas ao longo da vida. Com isso, há a possibilidade de ampliação de estados de consciência que demonstrem ser a morte física uma transição para outros níveis de existência. Dessa forma, contrapondo-se, aqui, ao paradigma científico de definição de morte, que estabelece parâmetros, mecânicos e físicos, rígidos e categóricos quanto à finitude da vida. Os estudos demonstraram a importância da Tanatologia, aliada à Psicologia Transpessoal, na preparação dos terapeutas, objetivando proporcionar um atendimento especial e acolhedor das reais necessidades, emocionais e psicológicas, dos pacientes durante o processo de morrer, por meio de recursos terapêuticos como sonhos, mandalas e visualização criativa. Este trabalho também visa preparar melhor as pessoas para a vida, pois se perdendo o medo da morte, perde-se o medo da vida e assim a pessoa vive em paz, utilizando seus potenciais e se auto-realizando.

Aspectos Psicológicos da Morte

Desde o nascimento, ocorrem perdas e lutos. No entanto, o maior sofrimento é a perda da própria vida, a própria morte. Existe medo do aniquilamento, do desconhecido, de deixar de existir, da doença, da velhice e da loucura. A morte está relacionada à perda; a separação traz tristeza, solidão, medo e insegurança e muitos questionamentos. A sociedade contemporânea é caracterizada pela exacerbação dos valores materiais, da concretude, onde se afasta a idéia da morte magicamente, negando-a constantemente. A maioria das pessoas não suporta o medo da morte. Com isso, ao adoecer, ocorrem sentimentos de fragilização, insegurança e pânico. Segundo Kubler Ross (1998, pág. 125), “Os tabus que nos impedem de falar da morte levam o indivíduo, muitas vezes, a um grande sofrimento.”. A autora incentiva a abrir o diálogo com os doentes graves para que os mesmos possam compartilhar seus temores e suas necessidades. De acordo com a sua descrição, o doente passa por cinco estágios na sua jornada para a morte. São eles:

1. Negação e isolamento – É considerada a primeira resposta à notícia de uma doença fatal, quando o doente manifesta defesas temporárias à dor psíquica frente à morte. A sua permanência e intensidade vai depender do acolhimento das pessoas que o cercam. Geralmente essa fase não persiste por muito tempo. 

2. Raiva – Vem à tona a pergunta: por que eu? - surgem sentimentos intensos de raiva, revolta e agressividade. Neste estágio é necessário o acolhimento e compreensão das dificuldades que representam as mudanças em sua vida cotidiana, na sua rotina, ocasionadas pela doença. 

3. Barganha – Representa uma tentativa de adiar o inevitável: Deus é invocado, são realizados pedidos de cura ou maior tempo de vida em troca de promessas. 

4. Depressão – Ocorre um grande sentimento de tristeza, de pesar pelas perdas do passado e pela perda que se aproxima. Quando é percebido que após os sentimentos de raiva, revolta e das inúmeras barganhas não atendidas permanece o inevitável, surge um profundo desolamento. 

5. Aceitação – Esse estágio não deve ser considerado como uma fase feliz. Significa que o processo até a morte pode ser experimentado em clima de compreensão e colaboração entre o paciente e os que dele cuidam.

Judith Viorst (1995) refere que os críticos de Kubler Ross, dizem que as pessoas podem, não necessariamente, passar por esses cinco estágios do processo de morrer. Algumas fixam na negação da morte até o fim, outras permanecem revoltadas. Nem todas conseguem encarar a própria morte. Algumas falam ainda que a aceitação ocorre, não obrigatoriamente, no último estágio. Vários estudos com pacientes terminais, afirmam que a forma de vivenciar a própria morte, é semelhante como a pessoa experimentou e se comportou diante dos desafios da vida.

Lidar com perdas é, muitas vezes, difícil para o ser humano. Quando ocorre a perda de um ente querido, um grande número de pessoas adoece, apresenta distúrbios do sono, de alimentação, de atenção, de memória, não conseguindo nem trabalhar. Existem pessoas que ficam susceptíveis a acidentes e as crianças podem apresentar problemas na escola.

Não existe tempo padrão para superar o luto, o tempo de duração é mais ou menos um ano, mas não há regras. Depende de alguns fatores como grau de parentesco, o tipo de morte, o apoio psicossocial e a estrutura psíquica do enlutado. Na morte de um ente querido, alguns afirmam que o maior remédio é o tempo. Na verdade, ele pode amenizar a dor, mas também é capaz de gerar um luto crônico. No luto crônico quanto mais o tempo passa, pior fica a convivência com a ausência física.

Diante de tantos questionamentos e dor trazidos pela morte, o que gerou muitos estudos e surgimento de diversas teorias, é que se desenvolveu na psicologia a abordagem transpessoal. Esta abordagem baseia-se na mudança de paradigmas, ocasionado pelo desenvolvimento da física quântica, com seus conceitos de unidade e relatividade, enfim, da sua visão de realidade.

 

O Holograma

Em 1969, Karl Pribam (1877-1973), neurologista de Stanford (EUA), seguido em 1971 por David Bohm (1917-1994), físico da Universidade de Londres, começou a desenvolver a teoria holográfica para explicar as experiências transcendentais e percepções paranormais. Segundo os princípios de Pribam: “O aspecto mais interessante do holograma é que a parte está no todo e o todo está em cada parte – ou seja, ocorre uma espécie de unidade na diversidade e diversidade na unidade.”.

Portanto, se o cérebro funciona como um holograma pode ter acesso a um todo maior que transcende os limites tempo-espaço. E, este nível, pode ser o mesmo nível da unidade na diversidade, descrito e vivenciado por místicos e sensitivos. Assim, se o cérebro funcionar holograficamente, numa realidade holográfica, a concretude do mundo nada mais é do que uma ilusão condicionada por nossos sentidos. Desta forma, Pribam (1969) sugere que as experiências místicas permitem a entrada num nível de realidade, numa dimensão que transcende o tempo e o espaço, onde as coisas “são” e não “acontecem”.

Os extraordinários avanços ocorridos na Física Quântica, na Parapsicologia e nas pesquisas sobre a relação mente/cérebro demonstraram não somente existir diferentes níveis de realidade, mas também diferentes níveis de apreensão destas realidades e, consequentemente, diferentes níveis de atuação possíveis sobre estas realidades. Sendo a morte do corpo físico apenas mais uma mudança de realidade. É um mover-se em direção a outra realidade mais sutil e cósmica, que nem sempre pode ser percebida através dos nossos sentidos. Dentro desta percepção, já conhecida há milhares de anos pelos orientais, principalmente pelos Tibetanos, a morte não é vista como um fim, mas sim como uma mudança de estado de consciência. O trabalho com o medo da morte prepara a pessoa para a vida, independentemente do tempo que ela possa existir. 

 A terapêutica Transpessoal leva o indivíduo a trabalhar suas dificuldades em diversos níveis, até que ele entre num processo de individualização (crescimento pessoal), vivenciando outros estados de consciência. Estes estados de consciência darão ao indivíduo condições para perceber que ele não é só corpo, mente e emoções, entrando em contato com sua energia mais sutil, não percebida normalmente.

       A abordagem Transpessoal adota a teoria holográfica da mente, segundo a qual o ser é um reflexo, uma confluência do passado, presente e futuro; das relações com o mundo todo e, ainda, da relação energética do mundo neste momento. E, de acordo com ela, com base na Física Quântica, o futuro e o passado estão acontecendo no presente. Se estiver num caminho, considere atrás, o passado e a frente, o futuro. Se olhar de cima, perceberá que é apenas um caminho. Perceberá a cidade toda, o mundo todo, a totalidade. Tudo está na percepção da realidade de cada ser. Perceber mais este ou aquele aspecto é apenas uma questão de refinamento até o dia em que:

Todos os nossos “Eus” eônicos, reunidos em uma imensa estrutura mais neguentrópica do que todas aquelas do passado. Nós chegaremos lá onde o tempo parece parar, lá onde toda esta gigantesca evolução conduziu, finalmente, o Espírito, nas verdes pastagens onde o universo retém seu sopro, ouvindo esta música secreta, que corre agora como um canto etéreo, entre as formas movimentadas dos éons deste fim de mundo. Então, como dizia Vivekananda, talvez o povo dos éons se contentará, enfim, de viver esta grande vida – deixando aos outros a tarefa de encontrar a explicação. (Charon, 1990, pág. 98)

Portanto, a realidade pode ser definida como uma percepção do cérebro, quando passado-presente e futuro coexistem no aqui e no agora, numa interação interdimensional, onde a consciência contém e está contida no todo, com uma profunda ligação entre todas as coisas existentes no universo.

A MORTE E SUA ABORDAGEM TERAPÊUTICA

As técnicas terapêuticas mais utilizadas dentro da Psicologia Transpessoal, junto aos pacientes graves e seus familiares, são a meditação, produção de Mandalas, Trabalho com os Sonhos, Visualização Criativa e Desprogramação Celular. Estas técnicas têm, por princípio, estimular e despertar a interiorização e integração do processo vivido; fazendo com que a essência do Ser se manifeste e o propósito da vida se cumpra: ser você mesmo, manifestação única da criação em todo o universo. Esta interiorização, além de seu poder curativo, no nível emocional, pois se considera que se a pessoa foi capaz de permitir seu adoecimento, somente ela poderá permitir a manifestação da cura, independente do nível em que esta ocorra.

 

Meditação

“Entrei onde não soube e aquietei-me não sabendo toda a ciência transcendendo. Eu não soube onde entrava. Porém, quando ali me vi, grandes coisas entendi: estava tão embevecido, tão absorto e alheado, e o espírito dotado de um entender não entendendo, toda a ciência transcendendo. Este saber não sabendo é de tão alto poder, que os sábios discorrendo jamais o podem vencer.” (São João da Cruz)

A meditação é um exercício de expansão de consciência, quando o indivíduo pratica um mergulho em seu silêncio interior. É parar a mente, treinando-a para manter-se no presente, conscientizando-se de seu corpo. É um árduo, disciplinado e diário caminho que inclui, sobretudo, que o praticante esteja atento e lúcido o tempo todo. Este procedimento leva o indivíduo à consciência de cada pensamento, sentimento ou intenção. E nessa vigilância se pode chegar ao autoconhecimento transformador, caminho certo para a conquista do autodomínio e da liberdade.

Quando se fala em meditação, surge uma variedade de conceitos sobre ela. Cada um dá à palavra um significado diferente. Para alguns, meditar é pensar a respeito de alguma coisa; aprofundar num determinado assunto; descobrir novos ângulos de um problema, etc. Para outros, meditar é concentrar a mente, isto é, simplesmente, concentração mental. Ao contrário do que muitos pensam, meditar é parar a atividade mental automatizada, é viver o presente integralmente, é cessar o diálogo interno. A mente humana não pára.  São infinitas informações que chegam à mente racional, como um computador processando e lançando dados. Só que, na maioria das vezes, este computador não tem um programador e os dados e informações surgem de maneira desordenada, sem objetividade, gastando energia desnecessária. Assim funciona a mente humana, ora visita o passado, ora o futuro, impedindo a pessoa de viver o presente. A meditação, quando praticada assiduamente, educa a mente, permitindo viver plenamente o aqui e o agora.

Objetivos da Meditação

A meditação é utilizada para purificar, equilibrar e atuar nos campos físico, emocional e mental. Com isto, acontece um abrandamento do fluxo de pensamentos e emoções, possibilitando um contato maior com o eu mais profundo de cada um. Dessa forma, ocorre maior autoconhecimento, que levará à diminuição da ansiedade e expectativas com relação aos estímulos externos. Além disso, a meditação diária muda hábitos indesejáveis dando novos valores à vida, possibilitando mudanças dos níveis de consciência.

Meditação não é relaxamento. Durante o relaxamento o corpo está solto, os músculos estão soltos. Na meditação os músculos estão soltos, relaxados, mas o esqueleto está ereto, alerta e a pessoa está atenta, desperta e consciente. A meditação é uma postura para a vida, onde se conquista a soltura física, mas a mente permanece alerta, consciente. Um dos objetivos da meditação é despertar a consciência, é despertar a pessoa para a vida. 

Um bom exemplo disto consiste na meditação zen com pacientes graves, a qual possibilita melhor condição para lidar com os tratamentos dolorosos como a quimioterapia. Esta prática proporciona ao paciente dormir bem, sem uso de medicamentos, diminuir a dor física e a ansiedade. Enfim, melhores condições físicas e emocionais para lidar com as limitações próprias do adoecimento, dos tratamentos agressivos e seus efeitos colaterais. Em suma, a prática da meditação propicia uma mudança na vida de seus praticantes. Esta mudança é muito positiva, há um aumento da paz interna o que os fortalece para o enfrentamento das dificuldades e também os prepara para usufruir plenamente os momentos bons e importantes que podem ocorrer.

Prática da Meditação

Existem várias técnicas de meditação: mantras , meditação transcendental, meditação zen, meditação andando, trabalhando, com barulho. Para praticar a meditação não importa qual a técnica escolhida, o importante é ter a meditação como prática diária até formar o hábito.

O ser humano é composto de: corpo físico, emoções, mente e consciência. A consciência é a parte mais sutil e é também conhecida como espírito ou energia. Como o objetivo aqui não é entrar em definições de espírito, energia e consciência, o termo essência será utilizado, de maneira simplificada, para representar esta parte mais sutil que é eterna e permanente.

Esta essência possui um corpo físico, mente e emoções. Mas ela não é o corpo físico, nem a mente e nem as emoções, ela é muito mais que isto, ela é a “dona” do corpo físico, da mente e das emoções. Ela é quem comanda estas três partes do ser humano. Muitas pessoas confundem as coisas, acham que a mente é esta essência. A mente é instrumento, que pode ser treinado e educado, a serviço desta essência. O corpo físico e as emoções da mesma maneira.

A meditação é primordial para alguns e apenas especulativa e curiosa para outros. Isto porque cada um está num grau de evolução. A meditação leva o praticante a controlar os níveis inferiores da personalidade que incluem os aspectos físico, emocionais e a mente concreta. E a maior parte da humanidade não se sente capaz de trabalhar seriamente esses níveis. Cada um, a seu tempo e com intensidade própria, busca a expansão de sua consciência rumo à luz e à semente divina. 

O hábito de meditar possibilita o mergulho no silêncio interno e a ampliação das fronteiras da mente. Entre uma palavra e outra, existe o silêncio e, neste silêncio, é a alma quem fala. A alma é observadora e sua linguagem é o silêncio.

Orientação: aprenda a meditar

A meditação deve ser diária. Meditar uma vez por semana não é suficiente. Para iniciar a meditação é importante você fazer primeiro um relaxamento rápido, já na postura correta. Depois você libera suas emoções e pensamentos, entrando em meditação. Se preferir pode usar um Mantra, repetindo-o pausadamente. Exemplo: EU SOU; EU SOU; EU SOU.

Na meditação, a postura é muito importante. Esta postura consiste em sentar em uma almofada, de mais ou menos vinte centímetros de altura, em posição de lótus, com a perna direita envolvendo a esquerda, a mão direita envolvendo a esquerda e os polegares se tocando. Se a pessoa sentir-se melhor, poderá também sentar-se numa cadeira. As costas devem estar eretas, sem encostar-se à parede, mantendo a coluna reta e a cabeça também. A cabeça não deve estar caída para frente nem para trás. Os pés paralelos no chão ou cruzar só os pés. Não cruzar as pernas, se você escolher a cadeira comum para meditar.  O tempo deve durar, a princípio, entre 10 e 15 minutos. Depois, com a prática, esse tempo deve ser ampliado até chegar a 45 minutos diários. Deve-se escolher uma hora para a meditação. O melhor é pela manhã, levantar 15 minutos mais cedo. Manter o horário constante. O local deve ser tranqüilo, nem frio nem quente. Não deve ter muito barulho e nem pessoas entrando e saindo. É bom escolher um lugar e não trocar mais.

Sonhos

“Momentos encantados quebram as máscaras da ilusão e destroem as mentiras da separação. Em um momento encantado, há um amor tão profundo que se estende além da emoção e toca a pura beleza e rara verdade... Este amor está no coração de toda a criação, de toda manifestação e de toda a ação correta. Está no brilho de todas as esperanças, de todos os sonhos.” (Lazaris, 1987).

Vários estudos foram realizados sobre os sonhos e comprovaram que eles são também responsáveis pela saúde física e mental do ser humano. Os sonhos são janelas do inconsciente, são mensagens do inconsciente, que ajudam as pessoas a viver melhor, na medida em que eles podem ser programados para resolver dificuldades. Além de serem também uma chave para o autoconhecimento. O estudo e análise dos sonhos apresentam contribuições significativas para a compreensão dos estados de consciência e, consequentemente, contêm respostas para as questões mais profundas do ser.

Abordagem dos Sonhos

Os sonhos são abordados desde a Grécia antiga, podendo ser comprovado através dos registros de Artemidoro Daldiano – com três mil sonhos, originando o Tratado de Onirocrítica, e do Templo de Esculápio que permaneceu ativo por 1.000 anos. Os povos primitivos não faziam distinção entre o mundo dos sonhos e a vida real. Os nativos norte-americanos tinham no sonho a fonte e o fundamento da espiritualidade. O sonho era considerado a residência temporária da alma.

Ao longo da história, existem registros de Sonhos Espirituais, como os Sonhos Bíblicos , O Alcorão foi ditado a Maomé pelo Arcanjo Gabriel em sonhos: “Estão abertos os portais que o conduzirão aos sete céus e os anjos esperam por você...” – os sete céus são sete níveis de consciência; Sonhos Proféticos, como os de Dom Bosco, o padre que sonhou o futuro e pessoas que sonharam com a morte de A. Lincoln e de J. Kennedy.

A importância do trabalho com os sonhos pode ser identificada como uma tentativa da psique de autocura, a exemplo da relação sonho lúcido x morte lúcida, que consiste na capacidade humana de tomar posse da consciência, de modo a atingir a prática dos Tibetanos de dormir e morrer sem perder a consciência. No Budismo Tibetano, a prática da yoga do sonho propõe-se a transformar seu praticante num sonhador lúcido, vencer a ilusão do estado de sonho, preparar a pessoa para a morte lúcida.

A Cura através dos Sonhos

O sonho é para muitos uma porta que revela outros níveis de consciência, propiciando um mergulho cósmico. (Gislaine Maria d’Assumpção)

Na antiga Grécia, quando não existiam médicos e hospitais, os gregos usavam Templos de Cura. Eles acreditavam num Deus da cura que se chamava Esculápio que curava as pessoas durante o sono, através dos sonhos. O doente ia para o Templo dormir e se curar. Tomava banho e pedia a cura espiritual antes de dormir. No dia seguinte, contava o sonho para o sacerdote e recebia as orientações através da interpretação dos sonhos. 

Às vezes, a pessoa sonhava com Esculápio cuidando dela e acordava curada. Em outros momentos, recebia orientação de mudança de hábitos de vida, de alimentação ou era receitado algum chá. Existe, no eu mais profundo de todo ser, um deus de cura que é o nosso inconsciente. A doença aparece no físico, mas o desequilíbrio ocorreu no emocional, mental e/ou espiritual.

Os sonhos são mensagens da alma na busca por um viver melhor e direcionar a existência humana para a Luz Maior. Um sonho não compreendido é como uma carta não aberta. Todos sonham, algumas pessoas não se lembram dos sonhos. O sonho é responsável pela saúde mental, assim como o sono pela saúde física. Sem eles, em pouco tempo, a humanidade adoeceria. Basicamente, a doença é uma tristeza da alma.

Um indivíduo tem de quatro a sete sonhos por noite. Os do início da noite são situações vivenciadas durante o dia; os da madrugada são geralmente espirituais, que trazem mensagens para o crescimento pessoal. Os sonhos, do meio da noite, tentam resolver os problemas emocionais. Ex.: Sonhos de perseguição, de assalto, etc., mostram como a pessoa está sentindo-se ameaçada. Deus tem nos sonhos, a sua forma perfeita de se comunicar com a criação. Os sonhos possuem um ritmo, durante toda a noite ocorrem desdobramentos  dos corpos sutis do ser: sonhos de voar, cair, subir ou descer de elevador, são sonhos indicativos de desdobramentos.

O consciente é uma parte muito pequena do ser, a maior parte está no inconsciente, que possui uma grande sabedoria e que está fora do tempo e do espaço. Os sonhos são janelas para o inconsciente. O ser humano pode programar seus sonhos para resolver suas dificuldades. O inventor da máquina de costura, Elias Howe, estava trabalhando há anos neste projeto sem resultados. Uma noite sonhou com uma tribo de índios atacando-o, eles queriam espetá-lo com lanças. Howe percebeu, para sua surpresa, que as lanças eram furadas na ponta, foi aí que ele colocou o furo na ponta da agulha e não na base como era o uso e tudo deu certo.

Orientação – Trabalho de auto-cura através dos sonhos

Orientação 01: diário dos sonhos

Sonhos são mensagens do nosso inconsciente e da nossa alma. Para entendê-los é importante ter um diário. Trabalhando seus sonhos, você estará fazendo terapia consigo mesmo.

• Compre um caderno para este fim;

• Ao acordar pela manhã, não mexa nem a sua cabeça;

• Relembre os sonhos e anote assim:

- Numa primeira linha: 1º. Sonho – data

- Na linha seguinte: Título

- Salte uma linha e escreva todo o sonho no presente, como se estivesse acontecendo agora. 

- Salte uma outra linha e coloque:

SENTIMENTO – Escreva os sentimentos fortes do sonho, ex.: ansiedade, alegria, etc.

ASSUNTO - Veja o tema do sonho. Ex.: perseguição, viagem, etc. 

QUESTÕES – Se ficou qualquer dúvida, qual a questão para você. 

SÍMBOLOS E SIGNIFICADOS – Escreva os símbolos e o que eles representam para você.

Você verá que os sonhos nos orientam em tudo na vida, ajudando-nos a dar o passo certo na hora certa.

Orientação 02: aprenda com os seus sonhos

O trabalho com os sonhos ajuda a pessoa a administrar melhor a sua vida e, consequentemente, ser mais feliz.

● Prepare-se para dormir, evite leitura pesada, ver noticiários e filmes de terror antes de dormir. Escolha uma leitura espiritual para ler 10 minutos antes de dormir;

● Relaxe, esvaziando a mente de todas as preocupações do dia; 

● Faça uma revisão do seu dia à partir deste momento até de manhã,quando acordou, isto é, de frente para trás. 

Pela manhã, ao acordar, não se mexa na cama e relembre os sonhos. Se você perceber que o sonho está incompleto, feche os olhos e complete o sonho da melhor forma para você. Ex.: você sonha que está sendo assaltado e acorda com medo. Complete o sonho, dando um final positivo, como: a polícia chega e tudo acaba bem. Se o sonho está completo, mas foi um sonho ruim, faça a mesma coisa. Relembre o sonho no presente, transformando-o num sonho positivo. Se você fizer isto com seriedade, em pouco tempo irá notar mudanças em você, como maior confiança em si mesmo, segurança, alegria, etc.

Orientação 03: programação de sonhos

• Relaxar;

• Rever o dia de frente para trás;

• Ter bem claro na mente o que se quer;

• Formular uma frase curta e objetiva da programação. Ex.: “quero saber como me relacionar bem com as pessoas” ou “quero ser seguro” ou “quero me curar”, etc.;

• Anotar o sonho no dia seguinte.

Faça isso por um período de dois meses, às vezes a resposta vem rápida (de forma simbólica), às vezes demora um pouco.

Mandala

É o princípio de tudo, na explosão de um ponto, onde tudo nasce deste mesmo ponto. (Gislaine Maria d’Assumpção)

A palavra mandala, em sânscrito, significa círculo e centro. Cada ser humano é uma mandala em si mesmo. Cada homem deve concentrar-se e alcançar o seu centro para conhecer e trabalhar as energias nele contidas. O responsável pelo resgate da utilização terapêutica de mandalas no Ocidente foi o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1961), autor de inúmeras obras sobre arquétipos, dentre elas O Homem e seus símbolos, Símbolos da Transformação, Psicologia do Inconsciente e outras. Para ele, a mandala é uma forma artística integrativa e terapêutica utilizada pelos pacientes na busca pela própria individuação e integração ao todo.

A mandala consiste numa série de formas concêntricas, sugestivas de uma passagem entre diferentes dimensões. Ela auxilia na canalização de energias criativas, vindas do inconsciente e de seus diversos estados, estabelecendo um senso de harmonia, de modo que o indivíduo sinta-se completo. É uma técnica de autoterapia, que ajuda na organização e no fortalecimento da psique, conduzindo as pessoas a uma maior consciência de si mesmas e do mundo que as cerca.

A expressão artística, em forma circular utiliza as cores, uma vez que cor é emoção. Para cada emoção existe um tom, um matiz, expressando os diversos estados emocionais existentes. Trabalhando com as cores para se fazer mandalas, o indivíduo vai trabalhando suas emoções.

Nas pinturas das cavernas encontram-se desenhos dos homens pré-históricos em formas circulares.  Em decorrência de estudos feitos por antropólogos em tribos primitivas, percebeu-se que a produção de arte em forma circular aumentava toda a vez que a tribo era ameaçada por doença, guerra ou qualquer outra situação.

Da mesma forma, os desenhos de pessoas internadas em hospitais psiquiátricos, também apresentam com, muita freqüência, a forma circular. O que leva à conclusão de que o desenho nesta forma é uma tentativa da psique humana de se organizar. Os antropólogos que estudaram as tribos primitivas também chegaram a esta mesma conclusão.

Parece que a psique humana funciona de forma circular (em nível de energia). Quando a pessoa deseja expressar que está bem, diz: - “Estou inteiro”. Quando quer expressar o contrário, que está desorganizado, diz: - “Estou partido, desorganizado, etc.”. A expressão artística em forma circular ajuda a organização e fortalecimento da psique, além de facilitar o contato com a essência ou self. 

Se a pessoa está deprimida, é recomendado que faça uma mandala, se não melhorou, faça outra e outra, até sentir que colocou para fora toda a sua tristeza. Até chegar ao ponto de fazer uma mandala que a deixe satisfeita. O mesmo é válido para qualquer outro sentimento, como: raiva, ciúme, medo, etc. A mandala não vai resolver todos os problemas de uma vez, mas só o fato da expressão do sentimento é de grande ajuda. O trabalho com mandalas é um trabalho de autoterapia que leva a pessoa a auto-integração e, consequentemente, a atingir a plenitude e paz interior.

Seu desenho tradicional sempre utiliza o círculo, símbolo do cosmo em sua inteireza, e o quadrado, símbolo da terra ou do homem no mundo. No I Ching – O Livro das Mutações, um dos mais antigos textos orientais, este simbolismo, o quadrado, corresponde ao Yang, o masculino, o criativo, principio celestial; e, o círculo, ao Ying, o feminino, receptivo, principio da terra.

O propósito da mandala individual é estabelecer um senso de harmonia de modo que o individuo sinta-se completo, tenha clareza, compaixão e alegria, sabendo, através de seu trabalho, que ele é parte de uma corrente maior. Como uma verdade, em todo processo mandálico, o fim é um retorno ao centro ou princípio e uma expansão simultânea para a periferia.

Consideradas janelas para a alma e símbolo do psiquismo humano, elas têm o poder de levar à introspecção, colocando a pessoa em contato com profundos níveis de sua consciência.  Praticar os exercícios com mandalas é estimular os hemisférios cerebrais, colorir mandalas é estimular energias adormecidas do inconsciente.

A terapia com mandalas, aparentemente estática, movimenta através de exercícios visuais os quatro quadrantes cerebrais, desatrofiando energias adormecidas do fantástico enigma que é o cérebro humano. Trabalhar com mandalas é um trabalho de transmutação da alma através do colorido, da criatividade e da dedicação. Com o estímulo, o cérebro conscientiza antigos registros celulares. As mandalas são multidimensionais e levam à consciência holográfica do todo. 

O principal objetivo do trabalho mandálico é de que seus praticantes entrem em sintonia com as energias de paz interior e o sucesso desta prática em muito dependerá do ambiente externo e interno de cada um, criado pela própria pessoa, em interação com o todo. Só no desenvolvimento consciente do centro de onde o universo se irradia será possível reencontrar o caminho que conduza o homem à plena realização.

Orientações para fazer mandalas

Pegue uma folha de papel A3 e uma caixa de pastel a óleo de, no mínimo, 16 cores. Faça um círculo a lápis no meio da folha usando um prato fundo. Olhe para o circulo no centro da folha.

Você vai ter uma espécie de conversa com este papel. Observe-o bem, mantendo a caixa de pastel a óleo aberta à sua frente. Escolha uma cor e desenhe com ela, no centro do círculo, uma forma qualquer. 

Agora, observe a forma que você desenhou, sem analisá-la. Procure apenas senti-la, você pode colori-la ou não.

Olhe novamente a forma agora mais completa e procure senti-la. Em seguida, faça uma nova forma, a partir da primeira. Pinte-a também com a cor que você escolher. Então a observe novamente e continue a senti-la. Não analise, apenas sinta o seu desenho.

Continue assim, fazendo formas e sentindo-as, até chegar ao limite do circulo ou até ultrapassá-lo, como você quiser. Não o veja como limite, ele é apenas um estímulo para o seu inconsciente. O importante é que as formas cresçam do centro para a periferia do circulo ou do papel. Você é quem decide se desenha somente dentro do círculo ou se completa toda a folha.

Depois de pronta a mandala, ela fica como uma pintura moderna. Vire a folha e faça uma seta para cima, indicando a parte superior de seu desenho, coloque a data. Se sentir necessidade de fazer mais de uma mandala por dia, coloque a data e as enumere em seqüência de 1, 2, 3, etc. O trabalho com mandalas é um processo, guarde-as numa pasta, em ordem cronológica, e passe a observar as mudanças que vão ocorrendo.

Se estiver com muita raiva, faça uma mandala colocando todo este sentimento no papel. Após transferir sua raiva para o desenho, realize um ritual queimando a mandala e transmutando a raiva em paz e serenidade.

Faça mandalas sempre que sentir vontade. A mandala não é um desenho de beleza ou de arte, nem é uma forma de testar sua habilidade de desenhar. A idéia não é fazer casinhas, bichinhos, carros nem flores, é um trabalho espontâneo. Assim faça-a quando estiver com vontade, agora mesmo, se quiser.

Visualização Criativa

A visualização criativa é uma técnica que utiliza a imaginação para concretizar o que se deseja. Muitas pessoas usam a visualização criativa de um modo relativamente inconsciente. Por causa de conceitos profundamente arraigados, automaticamente e inconscientemente, imagina-se que a vida é constituída pela falta, pela limitação, pelas dificuldades e pelos problemas e é isto que se espera que se manifeste. Em maior ou menor medida, é precisamente a criação do que se acredita ter direito. 

O objetivo desta técnica é usar a imaginação criativa natural de um modo cada vez mais consciente, como uma técnica para criar o que verdadeiramente se deseja. Segundo Shakt Gawain (1978), autora do livro Visualização Criativa, a imaginação consiste na capacidade de criar na mente uma imagem ou uma idéia. Na visualização criativa, emprega-se a imaginação para dar forma a uma imagem clara de algo que se deseja concretizar. Inicialmente, deve haver o aquietamento da mente, a limpeza de preocupações e pensamentos. Relaxar, visualizar o que se deseja. O programa pode ser praticado três vezes ao dia.

Depois, continua-se focalizando a idéia ou a imagem, regularmente, carregando-a de energia positiva, até que se converta numa realidade objetiva. Seu efeito consiste em eliminar barreiras internas que obscurecem e impedem ao praticante atingir a harmonia e auto-realização natural, permitindo que cada um se manifeste em seu aspecto mais positivo. 

A visualização criativa significa compreender e harmonizar-se com os princípios naturais que governam o funcionamento do universo e aprender como utilizar estes princípios de um modo mais consciente.

Conceituação e Histórico

A visualização ou imagem mental é um processo psicobiológico natural do homem que acontece, sempre, propositadamente ou não. É a mente pensando por meio de imagens na definição de Epstein (1989). E na definição de Achterberg (1985), a imagem é o processo de pensamento que evoca o uso dos sentidos – visão, audição, cheiro, gosto, o sentido do movimento, posição e toque. É o mecanismo não-verbal e não-lógico de comunicação entre a percepção, a emoção e a mudança corporal. A visualização, ou imagem mental, é o conteúdo da imaginação.

Sabe-se que as imagens mentais tanto afetam a saúde como a doença, chegando a provocar reações dramáticas. Uma pessoa imaginando uma situação aterradora pode auto-provocar baixa de temperatura, desorganização dos processos fisiológicos, transtornos bioquímicos podendo, até mesmo, chegar à morte. De acordo com Carvalho (1994), as imagens mentais de saúde podem levar a ativação de processo de autocura e controle de sintomas.

A imaginação, por intermédio das construções mentais, sempre esteve presente na medicina, implícita ou explicitamente. Na medicina primitiva, com os feiticeiros ou xamãs, o uso da visualização era comum e freqüente. Desde as mais remotas informações sobre cura na China, no século XVII A.C., no antigo Egito, no Tibet, nos Oráculos Gregos, na África, entre os esquimós, encontram-se relatos sobre o uso de visualização. Asclepius, Aristóteles, Galeno e Hipócrates, considerados os pais da medicina ocidental, usavam visualizações para o diagnóstico das doenças e para os tratamentos. Nos indígenas norte-americanos e sul-americanos, o uso das imagens mentais é comum até hoje nos rituais de cura. Em todas as épocas e em todas as culturas, as visualizações são partes integrantes das formas de tratamento, que tinham como base a idéia da unidade entre a mente, as emoções e o físico e, consequentemente, dos possíveis efeitos de uma das partes sobre a outra.

Nos últimos três séculos, a medicina ocidental separou o corpo da mente, criando tratamentos específicos para as doenças físicas. É interessante o dado de que nenhum outro sistema médico havia feito essa separação antes do século XVII. Atualmente, áreas da medicina e de interface entre a medicina e a psicologia, a neurologia e outras, tais como a medicina comportamental, a psiconeuroimunologia, a psico-oncologia, a psicossomática e a medicina holística, trabalham com a ligação mente-corpo e utilizam a visualização criativa dando a ela grande destaque e importância, em virtude das modificações fisiológicas que, comprovadamente, a acompanham.

Método Simonton de Visualização Criativa

A observação de que pacientes com um mesmo diagnóstico e prognóstico médicos tinham evoluções diferentes, uns vivendo mais que outros, fez com que o radioterapeuta americano Carl Simonton (1987) questionasse sobre o fato. Simonton, percebeu que aqueles pacientes que evoluíam melhor tinham em comum o desejo de não querer morrer por ter, por exemplo, um projeto inacabado em andamento que os prendia à vida. 

Contrariamente, pacientes que se mostravam deprimidos, com profunda apatia e com uma atitude de desistência diante da vida, evoluíam pior. Entre estes, Simonton observou que alguns afirmavam querer viver, mas que adotavam atitudes contraditórias em relação a essa afirmação, mantendo hábitos e estilo de vida pouco saudáveis. 

Simonton, trabalhando com sua mulher, a psicóloga Stephanie Mattew-Simonton, passou a entrar em contato com o pensamento de vários pesquisadores da área de psicologia que estavam trabalhando com a hipótese de que há uma interação mente/corpo. Conheceu pesquisas que confirmaram sua observação sobre a influência dos aspectos de personalidade e estados emocionais sobre as condições físicas, o que apontava para a direção de que era necessário considerar o indivíduo como um todo. A partir de seus estudos, o casal Simonton, desenvolveu um programa de abordagem psicológica a pacientes oncológicos, baseado em técnicas de relaxamento e visualização.

Uso da Visualização Criativa – Relaxamento

Simonton propõe como instrumento central de seu trabalho o uso de técnicas de relaxamento e visualização. Justificadas pelo fato de que para o paciente de câncer ou de qualquer outra patologia é importante poder contar com formas de diminuir a tensão, resultado de situações de estresse. O relaxamento físico geralmente leva também a uma diminuição das tensões emocionais e prepara o paciente para o trabalho de visualização, e é esta última que irá ser usada para estabelecer mudanças de atitude que favorecerão a ação do sistema imunológico.

Simonton enumera alguns critérios para que as imagens sejam eficientes:

 O tratamento é forte e poderoso: obtêm-se, a partir dessa afirmação, uma adesão maior do paciente ao seu tratamento. Se o paciente, de fato, acreditar no poder de seu tratamento, poderá, além de se sentir mais confiante, estabelecer uma aliança e tornar-se uma pessoa que colabore. Colaborar com seu tratamento tem outro ganho no que diz respeito à atitude do paciente, que passará a ser uma atitude ativa, e não mais uma atitude passiva ante o tratamento. Reforça-se aqui essa mudança de atitude. 

 As células saudáveis não têm dificuldade de consertar um ou outro estrago do tratamento: o uso de quimio e/ou radioterapia implica em uma agressão a todas as células do organismo. É verdade, no entanto, que as células normais do organismo dispõem de recursos de reparação. 

 O número de glóbulos brancos é muito maior que o de células cancerosas: como os glóbulos brancos são o símbolo do processo de cura, é importante que sejam vistos muito numerosos, refletindo, dessa maneira, a força de recuperação do organismo. Os glóbulos brancos devem sempre ser vistos como vitoriosos sobre as células cancerosas.

 Os glóbulos brancos são agressivos, ávidos de luta, rápidos na procura, na identificação e na destruição das células cancerosas: pelas mesmas razões expostas acima, pede-se que os glóbulos brancos sejam vistos assim. 

 As células cancerosas mortas são expulsas de forma natural do corpo: a eliminação de células destruídas pelo sistema imunológico é feita de forma espontânea e natural e assim deve ser vista. Alguns pacientes sentem-se desconfortáveis quando imaginam que resíduos mortos possam de alguma forma permanecer em seus organismos. 

 Ao final do processo de visualização, o participante se vê saudável e livre da doença: como já afirmado anteriormente, a visualização expressa um desejo, uma meta. Assim, é importante que o paciente se veja saudável, vivendo da maneira que lhe pareça deixá-lo bem feliz. 

 O individuo se vê atingindo os objetivos que estabeleceu para si mesmo, realizando os seus propósitos: essa imagem possibilita que o paciente estabeleça vínculos mais fortes com a vida, já que pode despertar desejo de viver.

Problemas para a Visualização Criativa

Alguns pacientes apresentam uma incapacidade para visualizar, um bloqueio. Este tipo de bloqueio surge geralmente em conseqüência de um temor. Pode ser por medo de seus próprios sentimentos e emoções não aceitos. Nada há a temer, quando se está disposto a entender completa e profundamente a fonte de um medo, ela perde sua força. Algumas pessoas não conseguem ver imagens, tem só o pensamento das palavras, isto não impede que o método tenha efeitos positivos. 

Algumas outras dificuldades podem surgir ao longo dos exercícios de visualização. Entre elas está a possibilidade da pessoa entrar num estado de divagação. Quando isto ocorre é necessário contornar a dificuldade perguntando ao paciente ou ele próprio se perguntar por que está divagando, pode ser que a pessoa tenha este padrão mental de não focar o pensamento. Neste caso, é aconselhável a prática da meditação como condição para a visualização. Alguns pacientes têm medo de que se visualizarem a doença estarão contribuindo para seu crescimento ou reaparecimento.

Outra objeção é que, algumas vezes, os pacientes acreditam que não é verdadeiro visualizar um tumor diminuindo quando este está sendo sentido ou visto crescendo. Na realidade, a técnica propõe que se visualize o resultado desejado. Visualizar o resultado e vivenciar as sensações que podem decorrer de se ver atingindo o resultado desejado pode ser suficiente para uma mudança emocional favorável para o rompimento do ciclo da depressão/desesperança.

De acordo com o trabalho do casal Simonton, este método tem demonstrado resultados positivos de cura total ou de paralisação do processo e, mesmo nos casos em que a pessoa venha a morrer, isto ocorre de uma maneira menos dolorosa, com serenidade e paz. Eles observaram também que os pacientes que praticam a visualização criativa apresentavam uma melhora significativa em suas vidas. 

Alguns autores preocupam-se com a avaliação dos resultados dos trabalhos de abordagem emocional aos pacientes de câncer. Um estudo desenvolvido por Spiegel (1989), ao longo de dez anos, na Universidade de Stanford, com mulheres portadoras de câncer de mama submetidas à psicoterapia de grupo, concluiu que estas tiveram uma sobrevida duas vezes maior do que aquelas que receberam apenas os cuidados clínicos habituais. O trabalho psicoterápico ajudou-as a superar a depressão, o que resultou em melhor qualidade de vida e melhores condições de saúde física. Simonton (1987) assinala esta mesma relação. 

Diante do exposto, a visualização criativa demonstrou ter um efeito poderoso sobre a fisiologia do corpo. Isto se deve ao fato de o corpo não distinguir entre um evento imaginário e um evento real, concreto, o que pode ser explicado pela concepção holográfica da realidade, onde a imagem, o comportamento e a resposta fisiológica são aspectos unificados do mesmo fenômeno. 

          

Orientação para a Visualização Criativa

A Visualização Criativa requer uma preparação, uma seqüência e disciplina. Primeiramente, deve-se: 

• Preparar a mente (é importante uma intenção clara daquilo que se deseja alcançar);

• Utilizar a Vontade (impulso de força Vital);

• A intenção = vontade dirigida que é essencial para o trabalho através da imaginação.

Etapas importantes para a Visualização

• A intenção – guia a ação;

• O aquietamento – relaxar, quietude interna;

• A limpeza – de preocupações / pensamentos (esvaziar a mente).

Programa para ser feito três vezes ao dia

• Relaxar;

• Visualizar a cura ou o processo de cura; 

• Visualizar a pessoa sadia.

Critérios para imagens eficientes

É importante verificar o tipo de imagem que a pessoa está usando, pois corre o risco da imagem não ser positiva. Exemplo de imagens inadequadas: representação das células cancerosas como formigas – caranguejos, as formigas são difíceis de acabar com elas e os caranguejos dão dois passos à frente e um atrás.

Exemplos de critérios eficientes

• O exército de glóbulos brancos supera o das células cancerosas, as células mortas são expulsas de forma natural do corpo. Sempre terminar visualizando a pessoa saudável;

• Células cancerosas fracas e confusas;

• Tratamento forte e poderoso;

• Células saudáveis “consertam” estragos provocados pelo tratamento.

Este método de visualização poder ser realizado pela pessoa doente e que deseja obter a cura e também por outras pessoas que intencionam a cura da mesma. 

Desprogramação Celular (Biologia das Crenças )

A magia das células

Segundo Bruce H. Lipton, em seu livro A Biologia das Crenças, atualmente, a biologia tem nos auxiliado muito na compreensão do ser humano, nos oferecendo recursos para modificar antigos padrões mentais e celulares. Os cientistas afirmavam que tudo era herdado de nossos pais. No início, pensávamos que o DNA fosse responsável apenas por nossas características físicas. Com o tempo, passamos a acreditar que os genes também controlavam as emoções e comportamentos. Portanto, se alguém nascesse com um gene de felicidade defeituoso só poderia ter uma vida infeliz. 

Hoje, a epigenética, que é o estudo dos mecanismos moleculares por meio dos quais o meio-ambiente controla a atividade genética, é uma das áreas mais atuantes da comunidade científica. Ela trouxe a percepção de que a mente consciente está muito além da mera programação genética. Quando nos conscientizamos de como as crenças positivas e negativas controlam nossas vidas, podemos modificar padrões e passar a ter mais saúde e felicidade.

O estudo das proteínas dos cromossomos desempenha um papel tão crucial na hereditariedade quanto o DNA. O DNA forma o centro do cromossomo e as proteínas formam um revestimento ao seu redor, uma membrana permeável, ultra-sensível. Experiências emocionais e concretas da vida dos pais moldam o perfil genético das crianças e podem ser passadas de geração em geração. O DNA não controla, imperativamente, a biologia e o núcleo não é o cérebro das células. Estas são moldadas pelo ambiente que as circundam. O segredo da vida não está na dupla espiral do DNA, mas na compreensão dos mecanismos simples e elegantes da membrana mágica, que fazem com que o corpo transforme os sinais, as informações do ambiente em comportamento. 

Os novos microscópios possibilitaram descobrir que as células vivas têm uma membrana composta de três camadas, muito permeáveis, que absorvem os estímulos do meio-ambiente, principalmente, pensamentos e emoções. O fato desta membrana interagir de maneira “inteligente” com o ambiente para alterar o comportamento da célula mostra que ela é realmente o seu cérebro. Destruída a membrana, a célula morre. Para que as células mantenham suas funções “inteligentes”, tanto as proteínas receptoras (consciência) quanto às executoras (ação) da membrana precisam funcionar perfeitamente.

Emoções: a linguagem das células

Candace Pert, estudando o cérebro humano, compreendeu melhor os mecanismos do cérebro das células.  Em seu livro Molecules of Emotion (Moléculas de Emoção), suas experiências levaram à conclusão de que a “mente” não se concentra apenas na cabeça, mas sim que está distribuída em moléculas sinalizadoras presentes em todo o corpo.

As emoções não se originam apenas de respostas do corpo ao ambiente. Por meio da autoconsciência, a mente pode usar o cérebro para gerar “moléculas de emoção” e agir sobre todo o sistema. O uso apropriado da consciência pode tornar um corpo doente mais saudável, a inconsciência das emoções inadequadas pode causar muitas doenças. 

A habilidade do cérebro humano de “aprender” é tão avançada que podemos adquirir determinadas percepções, indiretamente, a partir da experiência de outras pessoas. Quando aceitamos essas percepções como “verdades”, elas se tornam definitivas em nosso cérebro e passam a ser nossas próprias “verdades”. Aí está o problema: e quando as percepções de nossos “professores” estão erradas? Acabamos absorvendo informações imprecisas.

Conseqüentemente, as impressões equivocadas não são “monitoradas” e acabam nos fazendo desenvolver comportamentos inapropriados e limitadores. Se lhe ensinaram que cobras são perigosas, toda vez que você depara com uma delas adota (inconscientemente) uma postura defensiva para se proteger.  A cura ou a melhora pela ingestão de pílulas de açúcar é classificada como “efeito placebo” ou “efeito-crença” para enfatizar que nossas percepções, sejam elas precisas ou não, têm grande impacto sobre nosso comportamento e nosso corpo. Quando a mente emite sugestões negativas, que podem afetar a saúde, os efeitos causados são chamados efeitos “nocebo”.

Nossas crenças positivas e negativas têm impacto não apenas sobre nossa saúde como também sobre outros aspectos de nossa vida. As crenças agem como filtros de uma câmera e a biologia se adapta a elas. Quando reconhecemos o poder de nossas crenças descobrimos a chave da liberdade. Não podemos modificar nossos códigos de programação genética, mas podemos modificar nossa mente. Não são nossos genes, mas sim nossas crenças que controlam nossas vidas.

Suas crenças se tornam seus pensamentos.

Seus pensamentos se tornam suas palavras.

Suas palavras se tornam suas ações.

Suas ações se tornam seus hábitos.

Seus hábitos se tornam seus valores.

Seus valores se tornam o seu destino.

Mahatma Gandhi

 

Ciência e Espiritualidade

“A emoção mais bela e profunda que podemos sentir

é a do sobrenatural. Este é o poder da verdadeira ciência.”

                                                                                                                     (Albert Einstein)

A inteligência das células nos ensina a importância de viver conscientemente. A ciência da membrana mágica, em conjunto com os princípios da física quântica, oferece a explicação cientifica mais simples não apenas para a medicina alopática, mas também para a filosofia e prática da medicina complementar e da cura espiritual. A existência da membrana mágica foi trazida à tona e mostrou que somos todos seres imortais, espirituais e existimos independentemente de nosso corpo. 

Bruce H. Lipton havia passado anos estudando os mecanismos de controle molecular dentro do corpo físico e num determinado momento percebeu que os comandos que controlam a vida são ligados e desligados por estímulos, sinais e informações do ambiente e do universo. 

Diante disso, Lipton passou a afirmar, categoricamente, que a ciência o levou à espiritualidade, pois as descobertas da física e do mundo das células mostraram a existência de um elo entre ciência e espiritualidade, duas áreas completamente distintas, tendo certeza de que quando as duas forem novamente reunidas, criar-se-á um mundo muito melhor.

Na minha experiência com pacientes gravemente enfermos, com pessoas que perderam entes queridos ou outras perdas significativas, vejo que a resposta que estas pessoas dão à situação é determinada pelos seus padrões mentais e pelas suas crenças que foram transmitidas a elas pelos seus ancestrais através da membrana celular. 

Técnica de Desprogramação Celular

Desprogramação Celular é um método que permite à pessoa entrar em contato com suas crenças e com os sentimentos provocados por estas crenças, ir aprofundando, até chegar a um lugar de paz e serenidade.

1ª Etapa

Primeiro fazemos um relaxamento, pedimos à pessoa que entre em contato com a crença e/ou sentimento que mais a incomodam no presente; que visualize, esta crença, este sentimento ou sentimentos, como uma camada escura que cobre o seu coração. Esta é a primeira camada do Ego.

Pedimos à pessoa que deixe vir à sua mente a lembrança das pessoas que ela conviveu, convive ou de seus ancestrais que tenham estas crenças e estes sentimentos. Ela vai dizendo os nomes das pessoas que vêm à sua mente, até terminar. Pedimos que a pessoa mergulhe nesta camada de crenças e sentimentos e vá a uma segunda camada que alimenta a primeira camada. 

Repetimos a mesma coisa, ver esta camada como uma membrana escura que cobre seu coração, e deixar vir à memória o nome das pessoas que ela conviveu, convive ou seus ancestrais. Vamos aprofundando, camada por camada, até chegar numa camada que a pessoa sente alivio e muito bem estar. Neste ponto, chegamos à essência, as outras camadas são do ego.

2ª. Etapa

Pedimos que a pessoa visualize um acampamento a céu aberto, com uma fogueira, e que ela chame todas estas pessoas que apareceram em sua lembrança para sentarem em volta da fogueira para uma conversa.

Ela deve dizer para estas pessoas: “Olhe, todo este medo, está dor, esta angústia, etc. (falar todas as crenças e os sentimentos que apareceram nas camadas) não me pertencem, pertencem a vocês. Eu não os quero mais, vou jogá-los na fogueira para serem transmutados, me libertando e libertando vocês também destas crenças e sentimentos”. A pessoa imagina que está arrancando estas camadas escuras que envolvem seu coração, jogando na fogueira para serem transmutados. Fazer isto até sentir alívio.

Este recurso tem funcionado muito bem, trazendo mudanças profundas na postura das pessoas frente ao sofrimento e a dor. Ocorre uma mudança de visão da realidade pela ampliação da consciência que esta técnica propicia. 

Usando a inteligência das células, contribuímos para elevar a humanidade ainda mais na cadeia evolucionária cósmica, até que as pessoas tenham uma vida plena.

Orientações finais

Orientação psicológica para pacientes graves em casa

Em nossa experiência de atendimento ao Paciente Grave, sentimos que as famílias de tais pacientes precisam tanto de orientação e apoio como eles próprios. Quando uma pessoa adoece gravemente, a família de um modo geral entra em pânico, sente-se perdida, surgem questões prementes e práticas como:

• Devemos contar a ela a gravidade da doença ou esconder?

• Podemos demonstrar nossos sentimentos perto dela?

• Podemos chorar ou temos que colocar uma máscara de otimismo para ajudá-la?

• Temos medo de não saber responder as perguntas que ela fizer.

• Não sabemos o que fazer.

E várias outras questões. Vamos colocar algumas orientações para a família nestas circunstâncias. A primeira questão geralmente é: dizer ou não à pessoa que ela está com uma doença terminal. O meio médico se divide quanto a isto, alguns médicos acham que se deve contar e outros, que não. Em nossa prática percebemos que toda pessoa portadora de uma doença grave sabe o que está acontecendo com ela. 

A nossa orientação é a de respeitar o doente dentro de seus direitos. Se ele pergunta e quer saber o que se passa com ele, é um direito seu. Então que lhe seja revelada a verdade. Com isso, ocorre uma reação emocional forte e a pessoa entra naquele processo descrito anteriormente das fases de negação, raiva, negociação, interiorização e aceitação. 

Se não dissermos à pessoa, com honestidade, o que se passa, este processo é bloqueado, ela pára em alguma fase, o que vem dificultar na hora da morte, levando a um sofrimento desnecessário. 

Quando colocamos para uma pessoa que ela está com uma doença grave, devemos deixar bem claro que ninguém no mundo pode afirmar com certeza absoluta que ela vai morrer em pouco tempo. Isto é muito relativo, pois nós mesmos podemos morrer antes dela. Na literatura médica existem casos descritos de pessoas totalmente sem condições de vida que se recuperam. Pessoas que achamos impossível viverem mais alguns meses apresentam uma sobrevida de anos.

Portanto, é importante a pessoa estar consciente de que é portadora de uma doença, a qual, possivelmente, pode levá-la à morte, mas que ela deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para lutar pela vida, ao mesmo tempo em que trabalha o seu medo da morte. Temos constatado em nossa prática que a pessoa nestas condições é portadora de dois sofrimentos: o físico e o emocional, sendo que este último agrava o primeiro. Trabalhando o medo da morte, eliminamos em grande parte o sofrimento emocional e a pessoa apresenta uma sensível melhora em seu estado geral. 

É um alivio muito grande a pessoa poder falar com a família sobre seus medos, seus sentimentos e é de grande ajuda quando a família está preparada para ouvir. Se a família faz a opção por esconder do paciente o que ele tem, começa um interminável teatro, de uma parte e de outra. Pois a pessoa nestas condições desenvolve uma sensibilidade muito maior do que a que ela tem normalmente, ela vai perceber a mentira, as contradições, e entra no esquema do “faz de conta que tudo está bem”. Com isto, ela reprime seus sentimentos, o que provoca um agravamento de seu estado geral. O paciente fica atento a uma troca de olhar dos familiares, a uma contradição, a um murmúrio, a uma mudança de tom de voz.

Por tudo isto, somos a favor de que se diga a verdade. Este momento é um momento muito profundo para todos da família, é um momento de união e apoio mútuo. Todos sofrem, e se as pessoas da família se unem para viver este momento com sinceridade, as coisas se tornam bem mais fáceis.

Queremos dizer com isto que, se a família está triste e o doente também, podem e devem chorar juntos. Ao contrário do que se pensa, ao invés de agravar o estado da pessoa, em nossa experiência, vemos que, com isto, ocorre um alívio com conseqüente melhora do estado geral da pessoa.  Não existe uma regra de conduta nesta situação, muitas pessoas preferem não saber a verdade, pois são muito sensíveis e não possuem condições psicológicas para isto. É importante que a família e o médico tomem a decisão de dizer ou não a verdade, em cada caso específico.

A família deve procurar ler livros sobre o assunto, ter conhecimento dos processos que a pessoa passa, apoiá-la e permitir que a mesma vivencie e expresse suas emoções. Os familiares passam pelos mesmos processos. É comum a família se preocupar porque a pessoa está negando a doença ou está revoltada ou deprimida ou apática, sendo que todos estes sentimentos fazem parte do processo e devem ser vistos como uma caminhada para se chegar à aceitação. 

O importante é que a pessoa viva plenamente cada fase do processo. Se ela está com raiva, a família deve respeitar e deixar que a pessoa expresse esta raiva. Geralmente, ela fica agressiva com os médicos e familiares. A família deve compreender que estas agressões não são pessoais, mas fazem parte do quadro. A família deve estar ali presente, sem interferir no processo. Se a pessoa está negando, não se deve contestá-la, tentando fazê-la mudar de atitude. A própria pessoa vai caminhando para uma harmonia e paz interna.

A pessoa que está imobilizada por uma doença, sente-se à parte da vida familiar. Ela não participa mais da rotina da família, despertando nela sentimentos de rejeição e desconfiança. A família deve evitar ficar conversando em voz baixa com as visitas, na porta do quarto. Evitar acompanhar a visita até a porta e demorar, deixando o doente sozinho. Quem está doente logo faz a fantasia de que estão falando sobre ele e de sua doença ou de algo que não possa saber. Deve-se sempre colocar a pessoa a par do que está acontecendo em casa, dentro do possível.

Em alguns países, onde a Tanatologia já é uma especialidade bem aceita, coloca-se o doente na sala e não no quarto, para que ele esteja participando de tudo. Nestes momentos, bem no final, a vida da família geralmente gira em torno daquela pessoa, e tudo deve ser feito no sentido de lhe dar apoio, conforto e segurança, neste momento tão importante da passagem para uma nova vida, de um verdadeiro renascimento. 

Recomenda-se deixar as crianças conviverem com a pessoa doente, pois será bom para ambos. Para a pessoa doente, a criança leva energia e vida. Para a criança, ela estará aprendendo a conviver com este lado da vida, de doença e dor. Quando são negadas à criança estas vivências, no sentido de poupá-las, na vida adulta ela não saberá lidar com sofrimento e perdas.

Todas estas orientações devem ser utilizadas dentro de um bom senso e sensibilidade por parte da família. É claro que não se vão fazer reuniões barulhentas ao lado de uma pessoa que precisa de silencio e tranqüilidade. As crianças devem ficar com o doente o tempo que ele quiser e dentro de uma solicitação que deve partir dele próprio, respeitando suas necessidades. É o momento para a família falar dos sentimentos mais profundos, não deixando uma pessoa partir antes de lhe dizer o quanto ela é importante e o quanto a família a quer bem.

  Em nossas vidas dois momentos se destacam em importância e profundidade, o nascimento e a morte. Nascemos sós e morreremos sós. Estarmos rodeados pelo carinho e apoio da família é de grande ajuda. Apesar de o momento em si ser pessoal e termos de passar por ele sozinhos. O que se pode fazer nestas circunstâncias, é ajudar a pessoa e seus familiares a viverem esta experiência com tranqüilidade, expressando seus sentimentos, sua dor, seus medos e seu amor. E quando chegar o momento da partida, a pessoa parte em paz e os que ficam, também ficam em paz. 

Isto não quer dizer que eliminamos o sofrimento. Toda perda leva ao sofrimento, mas a maneira como lidamos com este sofrimento é diferente. Fica a dor da ausência física e, ao mesmo tempo, a alegria do amor plenamente vivido. 

O trabalho com o medo da morte tem demonstrado sua importância especialmente com os pacientes graves. É importante ressaltar que não sabemos quando vamos “terminar” este nosso ciclo, isto pode ocorrer a qualquer momento, antes mesmo da passagem da pessoa que está doente. 

Este trabalho não deve ser restrito àqueles que estão numa confrontação direta com a morte. Deve-se estender a todos aqueles que queiram lutar por uma melhor qualidade de vida.  Dentre as mudanças ocorridas em nossa época, uma das mais importantes, é esta nova concepção da morte como um renascimento para uma dimensão cósmica.

Orientações para quem perdeu um ente querido

Queridos amigos, 

Paz e Luz!

Em minha vida profissional, tenho acompanhado muitas pessoas em momentos de perdas profundas, como a partida de um ente querido ou o diagnóstico de uma doença muito grave. Caminhamos juntos na dor e tenho visto as pessoas renascerem, depois deste processo, com uma visão mais ampliada do mundo e mais preparadas para os desafios da vida.

Tudo muda! Os valores, a visão de realidade, o que era importante deixa de ser, o que não era passa a ser. Nos países do Oriente e várias outras culturas antigas aprender sobre a morte é considerado um aspecto indispensável da Arte de Viver. Na nossa cultura, já não é assim. Não estamos preparados para esta dura realidade. Isto dificulta muito o processo, mas é sempre um momento de muitas transformações. O que tenho a dizer a vocês é que estão num processo que tem início – meio – e (graças a Deus) fim, fim do sofrimento.

É importante respeitar seus sentimentos, viver o luto. O primeiro ano é o mais difícil. A pessoa que se foi não deixou de ser parte da família, não viva só a ausência, é importante fazer homenagens a ela nas datas significativas, avaliar o que ela deixou para você. Mexer em seus pertences, só quando seu coração pedir. 

Cada pessoa tem sua maneira própria de viver o luto e administrar a dor. Uns tem necessidade de ver fotos do ente querido, outros não. Alguns sentem bem indo ao cemitério, outros não gostam ou sentem que não faz sentido. Enfim, escute seu coração e faça o que ele mandar.

Transforme o seu sofrimento em força interna: esta é a chave que rege o mundo. Acredite no que é capaz de fazer usando sua criatividade quando a dor, a frustração, as perdas baterem à sua porta. Use sua mente para pensar positivamente, crendo na esperança do amanhã. Como a borboleta que um dia foi lagarta, permita a transformação e renasça para uma vida nova.

“O momento da morte é o mais elevado momento da vida, aquele em que esta alcança sua mais elevada intensidade.” (Jean-Yves Leloup)

 

BIBLIOGRAFIA

BAYS, Brandon. A Jornada. 11ª ed. São Paulo.Pensamento, 2006.

CARVALHO, M. M. Introdução à Psiconcologia. 1ª ed. Campinas: Torial Psyii, 1984.

CASTANEDA, C. A Arte de Sonhar. 1ª ed. Rio de Janeiro – São Paulo, Record, 1983.

CASTANEDA, C. O Presente da Águia. 1ª ed. Rio de Janeiro – São Paulo: Record, 1981.

CHAGDUD, T. R. Vida e Morte no Budismo Tibetano. 16ª ed. Três Coroas: Rigozin, 2000.

CHANEY, E. O Mistério da Morte. 5ª ed. São Paulo: Cultrix, Pensamento, 1998.

CHARON, J. E. O espírito, este desconhecido. 10ª ed. São Paulo: Melhoramentos, 1990.

CHOPRA, D. A Cura Quântica. 2ª ed. São Paulo, Best Seller, 1989.

D’ASSUMPÇÃO, Gislaine. De volta a Casa do Pai. 1ª ed. Petrópolis: Vozes, 1989.

D’ASSUMPÇÃO, Gislaine. Pingo de Luz. Uma História sobre a Vida e a Morte para crianças de 3 a 80 anos. 1ª ed. Petrópolis: Vozes, 1983.

EPSTEIN, Gerald MD. Imagens que Curam. 3ª ed. Rio de Janeiro: Xenon, 1990.

GAWAIN, Shakti. Visualização Criativa. 1ª ed. São Paulo: Pensamento, 1978.

GOLDBERG, Bruce. Uma Tranqüila Transição. 4ª ed. São Paulo: Pensamento, 1997.

HERMÓGENES. Superação. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1981.

IMBASSAHY, Carlos. O que é Morte. 1ª ed. São Paulo: Edicel Ltda, 1981.

JUNG, Carl Gustav. O Homem e seus Símbolos. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1977.

KAPLEAU, P. A Roda da Vida e da Morte. 3ª ed. São Paulo: Cultrix, 1997.

KUBLER, Ross Elizabeth. A Roda da Vida. 5ª ed. Rio de Janeiro: Sextante, 1998.

KUBLER, Ross Elizabeth. Morte: Estágio Final da Evolução. 9ª ed. Rio de Janeiro: Nova Era, 1996.

KUBLER, Ross Elizabeth. Sobre a Morte e o Morrer. 8ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

LESHAN, L. O Câncer como Ponto de Mutação. 2ª ed. São Paulo: Summus Editorial, 1992.

LIPTON. B. H. A Biologia das Crenças: Ciência e Espiritualidade na mesma sintonia; O Poder da Consciência sobre a matéria e os Milagres. 1ª. Edição. – Butterfly. Ed. São Paulo – S.P. (2007)

MOODY, R. J. Vida Depois da Vida. 3ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979.

O LIVRO DOS MORTOS TIBETANOS (Bardo Thodol). 2ª ed. São Paulo: Hemus Ltda, 1980.

PERT, Candace. Molecules Emotion: The Science Behind Mind – Body Medicine

(Moléculas de emoção – a ciência por trás da medicina mente-corpo). Nova York. Scribner (1997).

RIBEIRO, Carlos Reinaldo Mendes. A Vida sem Limites. 1ª ed. São Paulo Ag. Ltda, 1991.

SANDS, Raphael Helen. Labirinto – Caminhos para Meditação e Cura. 4ª ed. São Paulo: Madras, 2001.

SIMONTON, C. Com a Vida de Novo. 1ª ed. São Paulo: Summus, 1967.

SOGYAL, Rinpoche. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer. 2ª ed. São Paulo: Palas Athenas, 1992.

SPIEGEL, B. Love medicine and miracles. 1ª ed. Nova Iorque, Harper and Row Publishes, 1986.

SUZUKI, D. T. Introdução ao Zen-Budismo. 22ª ed. São Paulo: Pensamento-Cultrix, 2002.

VIORST, Judith. Perdas Necessárias. 2ª ed. São Paulo: Melhoramento, 1995.